Cores no museu fechado
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Diogo Cavazotti<br> Equipe da Folha 
A previsão de início da reforma do Museu Metropolitano de Arte de Curitiba (Muma) está marcada para agosto deste ano. As obras terminam no segundo semestre de 2009. Enquanto isso, tapumes cercam todo o museu como medida de segurança para evitar que vândalos invadam o local. Como a vedação é feita com tábuas, a Fundação Cultural de Curitiba (FCC) resolveu convidar a comunidade e alunos de cursos de Artes Visuais de diversas universidades da cidade para trazer mais cor ao local. Os tapumes começaram a ser pintados no dia 5 de julho e terminaram no último final de semana.
As instituições que participaram do projeto foram a Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), Universidade Positivo e a Faculdade de Artes do Paraná (FAP). Cada universidade definiu as propostas artísticas que seriam expostas nos tapumes. Não foi decidido um tema único e cada aluno podia explorar o espaço como bem entendesse. Porém, o trabalho de um artista poderia servir de complemento para o tapume pintado por outro.
O estudante da UTP Deivid Reis Marinho, 23 anos, que utiliza o nome artístico de Deivid Heal, trabalha com grafite desde 2000. Atualmente pinta ruas, telas, gravuras e espaços internos. Nos tapumes ele resolveu retratar pessoas com obesidade mórbida, idéia surgida através de seus estudos em pintura. Nós fizemos um painel mas utilizei meu trabalho autoral sem nenhuma relação com o Muma, explica o artista.
Já outros colegas de Marinho resolveram retratar o museu em algumas composições, fazendo uma reflexão sobre o espaço. Ele terminou suas três imagens na última sexta-feira e utilizou tinta acrílica, spray e pincel. Achei a iniciativa muito legal pois acabou criando um diálogo do museu com as pessoas que passam por lá. O público olha de outra forma, além de criar uma expectativa com a inauguração do Muma, opina.
A Fundação Cultural realiza trabalhos envolvendo artes urbanas desde 2005. O diretor de Ação Cultural da FCC, Beto Lanza, explica que o projeto no Muma vai na esteira do que está sendo feito em mobiliários urbanos e trincheiras de Curitiba. Desta vez foram realizadas parcerias com instituições de ensino que possuem cursos de Design e Programação Visual. Grafiteiros que já trabalham com isso também se interessaram pelo trabalho e ganharam alguns espaços nos tapumes.
Os artistas trabalharam simultaneamente. Essa mistura entre artistas que estão na faculdade e os que atuam nas ruas gerou um universo interessante. Uma ação artística como essa cria expectativa para ver a natureza do espaço, conta Lanza. São 24 alunos e
10 grafiteiros que
participaram das pinturas.
Outro artista que pintou os tapumes é Rudinei Nicola, 27. Ele é aluno de artes visuais e utilizou a técnica do estêncil, que consiste em um desenho ou ilustração que representa um número, letra, símbolo tipográfico ou qualquer outra forma ou imagem figurativa ou abstrata. Fiz o trabalho de acordo com a proposta, interagindo com os outros artistas. São trabalhos individuais mas interligados, explica ele.
Outros estudantes usaram técnicas de lambe-lambe (também chamado poster-bombs) e pincel. Cada universidade ganhou seu próprio espaço nos tapumes e as laterais foram destinadas para outros membros da comunidade.
Após aberto, o Muma irá continuar apostando nessas manifestações populares nas atividades do museu. Lanza acredita que workshops e exposições de grafite serão realizadas, assim como ocorre em outros lugares de Curitiba e do mundo. Eu penso que toda obra reflete um contexto, uma ideologia, um sentimento, uma filosofia. Este tipo de manifestação reflete a complexidade que é o espaço urbano, a beleza do caos, as vantagens e desvantagens de uma grande metrópole, a massa arquitetônica e humana, explica o diretor.
O estudante Alex de Jesus Machado Gerônimo, 19, é morador do Portão e recebeu um espaço nos tapumes para manifestar sua expressão artística. Ele está aprendendo a pintar através das aulas de Nicola e Heal em um outro projeto, chamado Cidadania
em Cores, da ONG Iddeha. Achei a idéia interessante.
É legal pintar em um espaço legalizado. Se fazemos em
local proibido podemos ir presos, opina Gerônimo.
SERVIÇO
O Muma fica na
Avenida República
Argentina, 3.430,
no Portão.


