Coração de mãe
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Diogo Cavazotti<br>Equipe da Folha 
Provavelmente você já teve a vontade de possuir um cachorro em casa. O animal iria alegrar o dia e fazer companhia em alguns momentos. O cuidado com o cão poderia entreter as crianças ou algum parente idoso. Agora imagine possuir 15 cachorros. Ou talvez 30. Difícil? Saiba que em Curitiba diversas pessoas resolveram "adotar" animais e abrigam um bom número deles em casa. A reportagem apurou a história de quatro mulheres com realidades diferentes que resolveram dedicar boa parte do tempo para cuidar de cachorros.
Na residência de Carla Luciana da Silva, 30 cachorros dividem espaço, todos de raça. Na chácara que possui são mais 35 vira-latas. O motivo da separação é que esses latem muito mais. Para evitar problemas com a vizinhança, a seleção foi feita. A "coleção" de animais começou quando o marido de Carla comprou um poodle. Em seguida ele adquiriu um da raça chow chow e não parou mais. O casal se mudou de um apartamento para uma casa com quintal para construir canis.
Os cachorros consomem 720 quilos de ração por mês. No pet shop, o banho e tosa de cada um custa R$ 30,00. Zahara, Johny, Cristal, Atus, Dara, Yan, Átila, Joana e Bluks são os nomes de apenas alguns deles. O cuidado com os animais é tão grande que o casal deixa de ir em jantares e casamentos para cuidar dos "filhos". "Tenho medo que eles possam se machucar", revela Carla.
Os animais não ficam soltos durante a noite, pois a dona considera que eles não foram feitos para vigiar a casa. Além disso, ela prefere não correr o risco de algum ser envenenado. No começo, os vizinhos reclamaram, mas como os cães que mais latiam foram para a chácara, o problema foi resolvido. "A vigilância sanitária já esteve aqui e viu que está tudo em ordem", conta. Se Carla vê um animal abandonado, o coração fala mais alto e ela imediatamente o adota.
Outra que não consegue ver um cachorro abandonado é a advogada Denise Schrederhof. Ao todo são 31 em casa, mas já passaram por lá mais de 300 cachorros diferentes. Hoje ela não doa para mais ninguém, com receio de que os animais acabem voltando para as ruas. Denise não tem problema com os vizinhas, simplesmente porque não existe ninguém morando perto dela. De um lado da casa fica um terreno baldio, e do outro uma oficina. Atrás passa uma rodovia.
Quando pequena, a advogada morava em um sítio e já gostava de bichos. Como morou durante muito tempo no Centro acabou se afastando deles. Mas a filha de Denise cresceu e também se apaixonou pelos animais. Os cachorros consomem por mês 6 pacotes de 25 quilos de ração. Ela própria aplica as injeções e, assim que chegam, os machos são castrados. A rotina da família é sempre a mesma: acordar 6 horas da manhã e separar um grande balde com água e a vassoura para limpar a sujeira.
Na parte de fora da casa existe um pote com água e ração para os cachorros que vivem nas ruas. "Por volta das 6 horas da manhã três cachorros já me esperam aqui na frente, aguardando a comida". A maior parte dos animais abrigados na casa de Denise estava doente. Um deles chegou a enfrentar seções de radioterapia para eliminar um câncer no focinho. Outro arrancou a orelha sozinho devido ao grande número de fungos. Hoje eles estão saudáveis e brincam alegres pelo jardim da animada "mãezona".


