Ela foi batizada em Minas Gerais como Maria Isolina Pereira, mas ficou conhecida como dona Lina nas frentes de luta pela cidadania no Paraná. Em seu currículo consta a participação ativa no Movimento Sem-Terra, na Comissão Pastoral da Terra e militância no Partido dos Trabalhadores (PT) - foi por duas vezes candidata à vereadora. Aos 52 anos, uma das líderes comunitárias mais combatentes de Londrina está mudando o curso de sua vida ao se tornar estudante. Integrada ao projeto de estudos supletivos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), ela concluiu o 2º grau em 1998. ‘‘Vivo porque sonho com um mundo melhor’’, diz com a voz límpida.
Enquanto estava em sala de aula prestes a conquistar o diploma de 2º Grau, ela nem sentia que cruzara a faixa dos 50. ‘‘Há 20 anos, eu nunca pensei que iria falar inglês. Hoje, estou aprendendo. A gente nunca deve ter medo do novo’’, afirma. Ao mergulhar nas páginas dos livros, dona Lina irradiou um ‘‘cadinho’’ de seus sonhos para os filhos, que voltaram a estudar. Da terra, ela e os filhos tiram o sustento. Estão produzindo cogumelos, um plantio mais sofisticado, que exige um conhecimento estritamente técnico. ‘‘Estou lutando para comercializar o produto’’, reforça.
Determinada em continuar os estudos, nos próximos dias ela vai iniciar um curso de sociologia rural, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), onde vai se aprofundar sobre a problemática do homem trabalhador do campo. A agenda do ano 2000 já está comprometida: dona Lina pretende ingressar no curso de pedagogia.

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