'Coquetel' de bactérias vai limpar rede pluvial
As bactérias usadas na limpeza das galerias e caixas de captação de águas pluviais do centro de Curitiba foram desenvolvidas com várias finalidades há mais de 40 anos. ''São cepas coringa'', conta José Marcello Carvalho, perito ambiental e sócio da empresa Águas Puras. Essas cepas, segundo conta, são na verdade um ''coquetel'' de várias bactérias, que aliam diversas habilidades, entre elas a de comer matéria orgânica. Esses microorganismos já foram usados em estações de tratamento de frigoríficos e no tratamento do esgoto de Santa Catarina, mas nunca da mesma maneira como está sendo feito em Curitiba.
Normalmente os resultados desse trabalho aparecem a partir da segunda aplicação. Na região central da cidade, Marcello calcula que cada boca da rede fluvial vai receber de três a quatro aplicações. Esse mês, as bactérias serão usadas em uma extensão de 5,5 quilômetros no centro da cidade. Em 30 dias serão utilizados 12 quilos de cepas, que são aplicadas sempre à noite de segunda a sexta-feixa, para não prejudicar o trânsito. Segundo Marcello, cada grama do produto - que tem aparência de farelo de soja - pode se multiplicar oito milhões de vezes. As bactérias só entram em atividade em contato com a água. Uma vez ativadas, elas atuam por 36 horas produzindo enzimas capazes de ''comer'' os materiais orgânicos causadores do mau cheiro. Ao fim desse período as bactérias morrem.
Marcello garante que o produto é seguro. ''Na verdade é um processo natural potencializado. Elas só atacam materiais orgânicos, cabelo, plástico e metal não são afetados e o passivo gerado pela operação é apenas gás carbônico'', explica.
Outra vantagem desse sistema é a limpeza dos bueiros e caixas de captação, que permitirá a visualização das ligações de esgoto clandestinas. ''Ao final dos primeiros trinta dias teremos um grande mapa da rede pluvial da cidade'', prevê Marcello. (A.A.)





