Copavi, um assentamento que deu certo
O Assentamento Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória (Copavi), em Paranacity (66 quilômetros ao norte de Maringá), é uma demonstração de que a organização dos camponeses pode ir além de justiça social, tornando-se sinônimo de sucesso. É o que constatou a última etapa da viagem da Folha ao conhecer a realidade das 20 famílias do assentamento, que vivem com uma renda bruta mensal de R$ 1.500,00.
Sob a bandeira do MST, os assentados mantêm duas empresas, sendo uma cooperativa agrícola e uma associação, responsável pelo gerenciamento da produção industrial. Uma organização que faz com que os cooperados já pensem em dobrar a produção de derivados de açúcar para 30 toneladas ao mês até 2008. A intenção é aumentar também em 35% a produção de derivados de leite, passando de 550 litros para cerca de 900 litros.
Uma fábrica de lacticínios, uma padaria, a produção de açúcar mascavo e cachaça encabeçam a lista de produtos oferecidos pela cooperativa que exportou, em 2005, 4 mil garrafas de cachaça para a Espanha. Para 2006, os cooperados estão negociando com a Itália e França.
Sublinhando os números, a boa infra-estrutura do assentamento ajuda o visitante a entender o significado da frase ''você está em uma terra libertada'', exibida no refeitório, onde todas as 20 famílias fazem as suas refeições diárias em regime comunitário.
A marcha sob esse ideário faz parte da vida de assentados, como Valmir Stronzake, 31 anos, representante da primeira geração de jovens, que foram criados embaixo de lonas e que assistem a esse novo capítulo da luta pela terra. Desde os 10 anos idade, Stronzake viveu em acampamentos. Perto de completar 18 anos, o rapaz acompanhou os pais na ocupação da Fazenda Santa Maria, de 96 alqueires, propriedade da família londrinense de Michel Sahão.
Dos primeiros anos de ocupação até a legalização do acampamento, em 1994, à regularização do assentamento pelo Incra, 10 famílias já passaram pelo Copavi, número praticamente igual ao das 11 famílias que ocuparam a área inicialmente. ''Há quatro anos, a cooperativa estabilizou, mas já faz 13 anos que estamos aqui. Passamos os primeiros nove anos pedalando'', avalia Stronzake.
Formado em Ciências Contábeis, Stronzake ilustra a reforma agrária que, além da terra, conquista a educação, saúde e cultura. Paralelo à persistência e ao trabalho, a explicação para o sucesso dos cooperados pode estar nesta fórmula, que não foi fácil para todos assimilarem. ''É preciso criar um ambiente de bom relacionamento entre as famílias, atingir um certo grau de eficiência e um trabalho permanente social. Um trabalhador que a vida inteira pensou de uma maneira individual e, então, vem para um lugar onde precisa ouvir opiniões, não é fácil. É um processo de mudança cultural demorado. Vencemos os obstáculos com muita paciência'', afirma.
(F.L.)





