Cooperativismo vive decisão
Miriam Karam
De Curitiba
Especial para a Folha
O setor que responde por 55% do PIB da agricultura paranaense vive hoje um momento decisivo em sua história. O cooperativismo passa por um processo de reorganização para fazer frente tanto à globalização como à necessidade de modernização de sua estrutura. É um momento de dificuldades para todo o setor produtivo do País, diz José Roberto Ricken, diretor-executivo da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). Mas o potencial de crescimento do setor é muito grande, completa Ricken, lembrando que as previsões para os próximos dois anos são muito boas. Seu otimismo se fundamenta nos recursos que deverão ser injetados pelo Recoop. A previsão é que ainda nesta semana os bancos comecem a repassar os recursos.
Com isso, teremos fôlego para retomar o crescimento, afirma o diretor da Ocepar. Em sua avaliação, apenas com os projetos represados em dezenas de cooperativas será possível a criação de nada menos que 17 mil novos empregos no setor.
Muitos deles deverão ser gerados pela cultura do algodão, uma vez que se espera a retomada do plantio já na próxima safra, segundo análise do agrônomo e economista Flávio Turra, técnico da Ocepar. A área plantada com algodão havia caído de 700 mil hectares, na safra 91/92, para 50 mil hectares na safra 98/99, por causa das importações subsidiadas com longos prazos para pagamento. Com a desvalorização do Real, a produção local passa a ser novamente competitiva. E é importante ressaltar que o algodão é uma das culturas que mais empregam mãodeobra - um emprego a cada três hectares plantados.
Queda - O número de associados em cooperativas agropecuárias, que hoje é de 110.637 agricultores, vem caindo ao longo dos anos. Esse processo começou em 1990, coincidindo com a época em que o governo parou de subsidiar a produção agrícola. Essa situação veio se somar à própria crise da agricultura - é cada dia menor o número de homens no campo. Situação revelada pela comparação entre os dois últimos censos agrícolas feitos pelo IBGE no Paraná: em 1985, o Estado tinha 460 mil agricultores vivendo de suas terras no campo; em 1996, o número havia caído para 370 mil.
Apesar disso, o cooperativismo ainda responde por números muito significativos na economia paranaense. Alguns exemplos: 63% da soja produzida no Estado vêm das cooperativas, também responsáveis por 82% da produção de trigo e 80% da de algodão em caroço.
Sistema com larga tradição no Estado, as cooperativas são, em muitos municípios, as empresas mais importantes, os maiores empregadores e geradores de receita. Em qualquer setor da economia o cooperativismo se faz presente para viabilizar soluções de baixo custo, diz o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski.Uma das decisões importantes do setor é retomar o plantio de algodão, cultura que dá um emprego a cada três hectares
Arquivo FolhaA fruticultura é uma das muitas atividades produtivas das cooperativas paranaenses, que precisam agora dar um salto de qualidade para viver a globalização sem traumas e confirmar seu potencial de crescimento





