Cooperativas querem exportar mais em 2005
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domingo, 26 de dezembro de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - As cooperativas do Paraná querem ampliar as exportações em 10% no ano que vem, devendo atingir uma receita de US$ 1,1 bilhão. Para compensar a queda nos preços das commodities prevista para 2005, as cooperativas apostam na mudança de foco das exportações, com a ampliação da oferta de produtos agroindustrializados para um número maior de países. Este ano, as cooperativas exportaram o equivalente a US$ 1 bilhão, correspondente a um aumento de 25% sobre as exportações do ano passado, que somaram US$ 800 milhões.
O resultado de 2004 para o setor foi considerado excelente na avaliação do presidente da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski. Apesar da quebra de safra, provocada pela estiagem no início do ano, as cooperativas conseguiram ampliar o faturamento em 20%, atingindo R$ 18 bilhões. Para 2005, o setor prevê ampliação da receita também em 10%. Koslovski admite a redução de faturamento em algumas cooperativas localizadas onde a estiagem foi mais severa. ''Mas no geral, o resultado foi maior do que o ano passado'', destacou.
Apesar do otimismo, Koslovski salientou que as cooperativas têm preocupações com o ano que vem. Ele citou a elevação de 20% nos custos de produção da safra plantada este ano, que vai se refletir no ano que vem. Aliado à isso, os preços das principais commodities do Estado como soja, milho e trigo devem enfrentar queda nos preços. Aliás, este ano, os agricultores já estão com dificuldades de vender o trigo,''situação que pode se agravar em 2005 se não houver apoio do governo na comercialização'', afirmou.
Para complicar, a valorização do real frente ao dólar pode prejudicar o resultado nas exportações, disse o líder da Ocepar. Ele lembrou que a manutenção desse quadro favorece o aumento das importações e por isso alerta para a possibilidade de redução do superávit da balança comercial.
Koslovski fez um balanço do cooperativismo que atinge hoje mais de 1,7 milhão de paranaenses. Segundo ele, o setor acompanhou o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, que este ano deve atingir um crescimento de 5%. As cooperativas já contribuem com 18,2% do PIB estadual previsto para 2004, quase o dobro da participação em 2000, quando elas contribuíam com 9,7% do PIB do Estado, comparou Koslovski.
O presidente da Ocepar atribuiu o bom desempenho deste ano aos investimentos feitos, da ordem de R$ 800 milhões, sendo R$ 500 milhões na agroindústria e R$ 300 milhões em infra estrutura. Destacou também os investimentos em capacitação do pessoal. Ele chamou a atenção para a preocupação das cooperativas com a capacitação de seus funcionários. No ano passado, os eventos de capacitação atingiram 55 mil trabalhadores e este ano, cerca de 71 mil trabalhadores devem ser submetidos a algum tipo de capacitação.
Outro fator que surpreendeu, segundo Koslovski foi o aumento da demanda para as cooperativas de crédito no Estado, que aumentou em mais de 30 mil o número de cooperados. Elas já são responsáveis pela participação de 2,2% do crédito rural com a administração de R$ 1,5 bilhão.
As cooperativas estão exportando os produtos do complexo soja (grão, farelo e óleo), frango, milho, café, açúcar e álcool, suínos e algodão para cerca de 60 países na Europa, Ásia, África, países árabes e Estados Unidos. Koslovski destacou o empenho e a adoção de inovações tecnológicas do setor para conquistar novos clientes no exterior com produtos industrializados. Ele citou o empenho da Cocamar em fechar um contrato de exportação de maionese para a França, e das cooperativas Lar e Copacol, com a exportação de peito de frango pré-cozido e pedaços de frango temperado.
A Ocepar também tem planos para intensificar a atuação política para o ano que vem. Segundo Koslovski, a entidade vai trabalhar com as lideranças nacionais para reduzir a tributação que pesa sobre o setor. Também pretende atuar para aprovação da Lei do Cooperativismo, que precisa ser renovada. A nova lei possibilita mais abertura nos certificados de aporte de capital, o que constitui uma oportunidade de capitalização das cooperativas.


