Cooperativas investem R$ 350 mi
As cooperativas paranaenses estão investindo R$ 350 milhões em projetos agroindustriais. Até o ano 2000 elas serão responsáveis pela criação de 10.600 empregos diretos e pelo menos o dobro, em torno de 21.200, em empregos indiretos. A agroindústria, por se tratar de um setor que lida com matéria-prima que não é uniforme, requer muita mão-de-obra, apesar da automação que as cooperativas estão incorporando às suas plantas industriais.
A maior parte dos investimentos em agroindústria estão na área de pecuária, setor que está recebendo investimentos da ordem de R$ 212,5 milhões, sendo a maior parte em recursos do BNDES. As cooperativas identificaram que a transformação dos produtos derivados da pecuária elevam o valor agregado da produção e ao mesmo tempo permite um trabalho integrado com os produtores associados.
O presidente da organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), João Paulo Koslovski, lamenta a dificuldade de concorrência com os grupos multinacionais que estão investindo pesado em agroindústria com recursos baratos, captados no exterior. Não fosse a incidência dos juros, ainda altos para investimentos, em torno de 20% ao ano no BNDES, e as turbulências da economia, as cooperativas poderiam desengavetar seus projetos no setor de agroindústria, avaliados entre R$ 700 milhões a R$ 800 milhões, segundo Koslovski. As cooperativas reivindicam também maior apoio do governo estadual com a dilação do prazo de recolhimento do ICMS.
Arquivo FolhaJoão Paulo Koslovski: concorrênciaOs investimentos em agroindústria estão ocorrendo de forma maciça em avicultura, onde o setor atingiu produção de escala e se tornou competitivo no mercado internacional. As cooperativas estão investindo cerca de R$ 123 milhões em novas instalações e ampliação ou modernização das plantas já existentes. O Oeste do Paraná é a região que lidera os investimentos das cooperativas, como forma de superar as dificuldades de escoamento dos produtos primários, como a distância do porto e o alto custo do transporte. Por outro lado, prevalecem na região pequenas propriedades com potencial de oferta de matéria-prima para ser transformada.
Avicultura As grandes indústrias abatedoras de aves instaladas no Paraná estão investindo na modernização da linha de produção, com a finalidade de aumentar a participação no mercado internacional. O Paraná favorece a expansão dessas indústrias em função da abundância da produção de milho, insumo essencial para a atividade, e pelo sistema de produção que prevalece, que é o da integração entre indústria e produtores.
O Estado se destaca como o segundo maior no número de abates, atualmente com 45 milhões de cabeças por mês. Cerca de 25% desse total é destinado à exportação, 15% para outros estados e o restante é consumido no mercado interno. Esse volume está apenas um pouco atrás de Santa Catarina, primeiro colocado, que abate entre 45 a 50 milhões de aves por mês. A previsão é que até o ano 2000, quando muitas plantas industriais forem concluídas, esse número seja bem maior, prevê Icaro Fichter, executivo da Associação dos Abatedouros e Produtores de Aves do Paraná.
O carro chefe dos Investimentos é a Sadia, de Toledo. No rastro grandes indústrias como Comaves em Londrina, Seara em Jacarezinho, Big Franco em Rolândia, Da Granja em União da Vitória, Batávia em Carambei, o grupo Felipe em Paranavaí e as cooperativas Coopacol, de Cafelândia, Cotrefal de Medianeira, Sudcoop, Coopervale em Palotina, Coopavel em Cascavel, estão investindo pesado na ampliação de suas instalações de abate e integração com os produtores.Almir Trevisan/EspecialVento em popaLinha de produção de frigorífico de frangos da Coopavel, de Cascavel: setor em franca expansão e com possibilidade de se tornar o primeiro do BrasilVânia Casado





