Controle sanitário garante segurança ao consumidor
Não é apenas na quantidade que apontam as ações da prefeitura de Curitiba quando disponibiliza mais vagas nas feiras da cidade. Desde 2006, a Secretaria Municipal de Abastecimento trabalha conceitos como educação sanitária, higiene e boas práticas da manipulação de alimentos junto aos feirantes. Com isso a intenção é manter a boa qualidade dos produtos.
O comerciante Nelson Túlio, que há 25 anos vende queijos e embutidos lembra do tempo em que as moscas rodeavam sua barraca nos dias de calor. Ele foi o primeiro feirante de Curitiba a adquirir um trailer refrigerado para conservar os alimentos, em maio de 2007. Antes era uma barraca normal, as pessoas chegavam, pegavam as coisas com a mão, recorda. Naquele tempo além dos perigos de higiene, muitos produtos eram perdidos pela falta de refrigeração.
Na época, Túlio conta que muitos colegas protestaram contra as exigências da prefeitura em relação às características sanitárias das estruturas dos feirantes. Ele mesmo diz ter sofrido críticas dos concorrentes depois de adquirir o trailer. Diziam que eu estava louco, recorda.
Segundo o diretor de abastecimento da prefeitura, Luiz Gusi, a busca pela qualidade dos alimentos é constante. Para atingir esse objetivo são fixados pontos de controle sanitário. O primeiro foi a temperatura, com isso os feirantes que trabalham com produtos mais perecíveis, como peixes, carnes e frios, receberam orientações sobre conservação. Hoje todos estão dentro dos padrões sanitários, comemora Gusi.
Para não chocar os comerciantes nem criar conflitos, a secretaria trabalha um ponto de cada vez. O último setor a ser abordado foi a gastronomia, que envolve características mais complexas de fiscalização, já que o produto é manipulado previamente nas residências dos comerciantes.
Para Pedro Lazcano Ruiz, que tem uma barraca de comida mexicana na feira da Praça da Ucrânia, a atuação da prefeitura é positiva. A feirinha é uma coisa improvisada, então eles ensinam a gente a levar sabão, anti-séptico etc., conta.
O único puxão de orelha que o mexicano levou do poder público foi em relação a uma pia que não estava adequada aos padrões técnicos, mas após um aviso o problema foi logo sanado. Daqui a dois meses Lazcano pretende estrear um trailer para vender seus produtos. Vai ficar mais higiênico, mais profissional e mais fácil também, explica.
Os feirantes que não se enquadram às regras sanitárias podem sofrer sanções do poder público, como advertências, multas que começam em R$ 260,00 e vão sendo dobradas, suspensão do trabalho até a regularidade da situação e a cassação definitiva da licença. Em um universo de cerca de 600 feirantes, apenas quatro foram suspensos e somente um teve sua licença cassada após desacatar um fiscal.
Antes de efetuar qualquer mudança a prefeitura chama os feirantes e ensina-os como proceder. Depois eles passam por um período de adaptação, onde as faltas cometidas são punidas apenas com advertências. (A.A.)





