''A geração de energia elétrica no Brasil acontece de forma interligada. O Operador Nacional do Sistema (ONS) é quem diz quanto cada usina espalhada pelo Brasil vai gerar. As negociações dos geradores com o ONS acontecem, praticamente, todos os dias. A cada meia hora, é feito um programa de produção de cada uma das turbinas que estão nas usinas país afora''. Dessa forma, dentro do Centro de Operação da Geração (COG) de Chavantes, o engenheiro Paulo Laudanna sintetiza o modelo brasileiro, que depende, e muito, das hidrelétricas, as quais produzem em torno de 80% da eletricidade consumida.
Em outras palavras, o País é extremamente dependente do volume de água disponível em seus reservatórios. Uma grande estiagem pode resultar em um ''apagão elétrico''. No entanto, chuvas em excesso também significam perigo à vista. ''Cheia no nosso sistema pode siginificar mortes'', ressalta Laudanna.
Nenhuma usina brasileira produz sem a autorização do ONS. Cada turbina é controlada rigorosamente. ''A cada meia hora, o Operador faz um programa de produção'', explica Laudanna. Só nas usinas administradas pela Duke no Paranapanema são 29 turbinas. No Brasil todo são centenas.
O contato dos operadores das usinas - devidamente credenciados pelo Operador Nacional - com o ONS acontecem a todo momento. O programa prévio de geração pode sofrer alterações. Dentro do COG de Chavantes, a reportagem presenciou um contato do ONS pedindo para aumentar a produção de uma das turbinas de Chavantes. Todas as conversas entre os operadores são gravadas.
Por outro lado, o pessoal da Duke iniciou uma negociação para aumentar a produção na Usina de Taquaruçu. ''Lá trabalhamos no sistema 'fio d'água' e estamos com muita água no pequeno reservatório. Se não utilizarmos a água para produzir energia, vamos ter de soltar pelo vertedouro. No sistema integrado brasileiro, verter água significa prejuízo, num momento como o atual em que há uma crise de energia'', ressalta o gerente do COG de Chavantes, Maurílio Eijin Katekawa.
Com a resposta positiva do ONS, a geração em Taquaruçu é ampliada do COG de Chavantes. Duzentos quilômetros separam as duas unidades. A distância é vencida pelo satélite. Aliás, o sistema de satélite entra em campo para outras coisas, como auxiliar o programa de computador que faz a simulação do volume de água que passa pelo Paranapanema e seus reservatórios.
''Nós conseguimos saber qual é o volume de água que está passando no Tibagi lá em Jataizinho (21 km a leste de Londrina) neste momento. Também monitoramos as chuvas em toda a nossa bacia para saber o quanto de água chegará até as nossas usinas'', finaliza Laudanna. (W.S.)

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