Controle aos imigrantes foi exagerado
O período da Segunda Guerra também foi marcado por racionamento de alimentos e combustível, restrições a viagens para fora da cidade, principalmente para o litoral, e exercícios de blecaute. O Moinho Rebouças, prédio que hoje abriga a sede da Fundação Cultural de Curitiba, por exemplo, chegou a ter um abrigo antiaéreo, onde agora funciona um arquivo.
Por causa do racionamento de gasolina, Hans Klaus Garbers adaptou seu carro ao gasogênio, sistema que fazia o motor funcionar a base do gás proveniente da combustão da lenha. ''E após o fim da guerra a gasolina ainda era controlada. Recebíamos uns tickets para abastecer'', explica. Já Hertha Kellermann lembra dos dias em que precisava sair cedo de casa para buscar alimento. ''Eles anunciavam onde ia ter pão e eu ia de bicicleta bem cedinho buscar'', conta.
Ela também lembra quando o avô alemão naturalizado brasileiro foi preso ao pedir licença para ir à sua casa de praia em Matinhos. ''Ficamos procurando e ele mandou um recado por um garoto para a família saber onde ele estava'', recorda. Os piqueniques tradicionalmente feitos por famílias alemãs na Estrada da Graciosa desapareceram, lembra Garbers. ''Eram cometidas arbitrariedades demasiadamente esdrúxulas'', comenta o descendente de alemães.
De acordo com a professora do departamento de História da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Roseli Boschilia, havia uma exacerbação por parte da polícia em controlar os imigrantes. ''Curitiba era uma cidade eminentemente habitada por imigrantes. E vizinhos, às vezes até por outras questões, faziam denúncias, muitas delas infundadas'', observa a professora.
Segundo Roseli, uma das formas de resistência encontradas por esses imigrantes se deu no espaço privado, por meio de hábitos como a culinária. ''Como eles não podiam falar o idioma de origem, mantinham sua identidade através dos alimentos. Isso justifica essa coisa tão forte da alimentação alemã em Curitiba'', aponta. (D.R.)





