Contra desemprego, cidade exporta trabalhador
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sábado, 11 de setembro de 2010
Luciano Augusto<BR>Reportagem Local 
Campo Bonito Enquanto há municípios que rejeitam o rótulo de dormitório, Campo Bonito (Oeste), deixou a vaidade de lado e assumiu oficialmente a fama. No início do ano passado, a prefeitura criou a Sala do Trabalhador e passou a intermediar a exportação de mão de obra para empresas de outras cidades da região. Em pouco mais de um ano e meio, o município que tem 4,3 mil habitantes zerou a taxa de desemprego recrutando quase 500 trabalhadores desocupados e os recolocando no mercado produtivo. Como comparação, o IBGE apontava em sua última estatística, em 2008, que o número de pessoas ocupadas nas 85 empresas do município chegava a 408.
Sem condições de fazer crescer rapidamente a geração de postos de trabalho, o diretor da Sala do Trabalhador, Valdir Antônio Almeida, explica que a saída foi firmar parcerias com nove grandes agroindústrias da região. Toda quarta-feira, o programa de rádio do Executivo na emissora local anuncia as vagas. A prefeitura faz a seleção, banca os exames admissionais e cópias de documentos e encaminha para as empresas, que custeiam o transporte de ida e volta. Só a filial de uma grande cooperativa em Cafelândia emprega quase 200 pessoas. Em Cascavel, mais 72 adolescentes trabalham em um abatedouro de aves e ainda ganham bolsa de estudo. A partir de novembro, 55 trabalhadores viajarão diariamente para Santa Catarina para colherem a safra de maça.
Foi a solução para conseguirmos empregar todo mundo. Se não fosse assim, não teríamos como absorver todos eles no Município, afirma Almeida. Para garantir que a inclusão no mercado de trabalho gerasse dividendos para Campo Bonito, a prefeitura condiciona o depósito dos salários nos bancos locais.
O presidente da Associação Comercial e Industrial, Clair Pícoli, diz que a iniciativa foi boa para a economia porque ampliou o poder de compra da população, ainda que muitos dos que trabalham fora não consumam em Campo Bonito. As pessoas têm que ter consciência de que é preciso consumir aqui para ajudar a cidade a crescer, observa. O empresário comenta que quando os trabalhadores começaram a receber os salários foi preciso limitar o crédito para segurar o endividamento. Agora está bem mais equilibrado, comemora.
Um outro indício de que a iniciativa está dando certo, pelo menos em Campo Bonito, é que a novidade já se espalhou entre desempregados da região. De acordo com Almeida, a prioridade continua sendo a população local mas foi preciso abrir um cadastro de trabalhadores desocupados de cidades próximas, que já conta com dezenas de nomes.


