Entre tantas obras previstas nos contratos das concessionárias que administram as praças de pedágio do Paraná, algumas foram ‘‘barganhadas’’ quando o governo do Estado finalizou a negociação para redução nos preços do serviço, no ano passado. Entre elas estão o Contorno Leste de Apucarana (ligando a BR-376 à BR-369), previsto para começar esse ano, mas adiado para 2021.
Para o prefeito de Apucarana, Valter Pegorer (PFL), faltou iniciativa política na região para garantir a obra ainda esse ano. ‘‘Quando perdemos um benefício desse porte sabemos que resgatá-lo será muito mais difícil, mas estamos conversando com o governo do Estado para tentar reverter a situação’’, informou.
O Contorno Leste estava previsto para desviar o fluxo de tráfego pesado que hoje passa dentro da cidade, pela Avenida Minas Gerais. São caminhões e veículos de todos os tamanhos e tipos de cargas que saem de cidades próximas, como Arapongas, Sabáudia e Jaguapitã e se dirigem principalmente para Curitiba e Sul do Estado.
Conforme o secretário de Planejamento e Urbanismo de Apucarana, Ivo Gilberto Martins, não existe um estudo sobre o número de veículos que circulam no trecho. O levantamento deve ser providenciado em breve, em razão do projeto de instalação de redutores de velocidade, previsto para esse ano. ‘‘Com esses dados em mãos, pretendemos reivindicar a antecipação da obra do Contorno Leste, porque sabemos que em 2021 a avenida vai estar intransitável se nada for feito’’, afirma o secretário.
Passarelas sobre os trechos mais perigosos das rodovias também serão pleiteadas, assim como a construção de duas avenidas marginais no Parque Industrial Sul, outra obra importante que foi retirada do contrato, segundo Martins.
A concessionária Viapar é a responsável pela conservação de 14 quilômetros de rodovia que passam dentro da cidade. Martins destaca que a pintura e sinalização e limpeza de bueiros, serviços secundários obrigatórios das concessionárias, não estão sendo realizados de forma satisfatória pela Viapar. ‘‘Já contatamos a empresa e até o Departamento de Estradas e Rodagem (DER), mas nenhuma providência foi tomada’’, critica. A concessionária, através da assessoria de imprensa, informou que o contrato prevê pavimentação e sinalização do trecho urbano da rodovia, o que está sendo executado dentro do cronograma proposto pelo DER.
A Rodonorte, também através de assessoria de imprensa, informou que a redução de valores do pedágio implicou em consequente redução de investimentos em razão do equilíbrio econômico financeiro da empresa, assim como aconteceu com as outras concessionárias.
No caso da Rodonorte, o novo programa elaborado pelo DER transferiu a construção do Contorno Leste de Apucarana deste ano para 2021, em razão do alto custo da obra. Mas, segundo a assessoria, nenhuma obra foi cancelada e não havia previsão de passarelas no contrato original. O triênio 2000-2002 prevê a duplicação da PR-151 e da BR-376, na Serra do Cadeado, além da manutenção dos trechos, em razão da priorização determinada pelo próprio DER.
A Secretaria Estadual de Transportes, através da assessoria de imprensa, informou que uma comissão de avaliação reativada em março desse ano está fazendo vistorias nos trechos de cada concessionária, desde abril. De acordo com a assessoria, a comissão visa levantar dados para redirecionar as obras prioritárias, se for o caso.
O trecho relativo à Rodonorte deve ser vistoriado nos dias 27 e 28 de junho e o da Viapar nos dias 12 e 13 de julho. Os trabalhos da comissão devem terminar no final do próximo mês, quando será emitido um relatório a ser apreciado em conjunto entre os envolvidos, governo do Estado, usuários, representantes de meios de comunicação e das concessionárias.

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