Contemporâneo
Antes de se formar em escultura na Belas Artes, Regina Lucia de Araujo Nissel precisava achar um espaço para apresentar o seu trabalho de conclusão de curso. Mas que lugar abriria as portas para uma universitária? A sua família estava prestes a fundar uma empresa e Tuca Nissel, como é mais conhecida, pediu para usar uma das salas da enorme casa para sua exposição. A Ybakatu, a empresa familiar, nunca saiu do papel. Mas a proposta virou Ybakatu Espaço de Arte, que completa 14 anos em 2009 como uma referência na cidade.
"Sinto muito em dizer, mas Curitiba não tem mercado", revela Tuca, 38. "Conto nos dedos os que sei que têm coleção de arte contemporânea." O espaço cresceu e hoje toma toda a casa no Alto da XV. Mas a grande questão que permanece para a dona é como tornar o espaço autossustentável - ainda que por momentos ele se banque, é difícil manter isso ao decorrer do ano. Uma das alternativas para venda tem sido as feiras. Nos últimos dois anos, a galeria esteve na Arco, a de arte contemporânea de Madrid, em que não apenas o espaço vendeu bem como deu início a uma parceria com uma galeria espanhola.
E Tuca também gostaria de tornar a galeria autossuficiente pelos artistas. Representa profissionais de diferentes gerações, do já citado C.L. Salvaro, cujas obras estão até o dia 10 no Itaú Cultural, em São Paulo, ao experiente Claudio Alvarez, chegando a residentes em outros países, como o norte-americano Brandon LaBelle. Uma obra dele ocupa uma das salas do espaço, uma instalação portátil que reproduz diferentes sons ligados à história da arte. Em outra sala, as criações de alguns artistas locais - como Margit Leisner e o coletivo Interlux - a partir de sons gravados por LaBelle em sua residência.
"Não acho legal pensar só na parte comercial e não gosto de interferir nisso", conta a dona da galeria, que representa os artistas nos diversos lugares que vai. Acredita que a cidade tem vários núcleos, grupos produzindo arte e gente conversando. E que para receber tamanha produção seriam necessários pelo menos cinco Ybakatus - sendo que a falta de colecionadores seria uma resposta razoável para não haver outras quatro iguais à dela na cidade.
Um dos trunfos do espaço tem sido a constante utilização da galeria para exposições - em cada uma delas, Tuca compra ao menos uma das obras para o seu acervo. Em 2005, sob curadoria de Paulo Reis, organizaram uma mostra de dez anos da Ybakatu, em que foram exibidas algumas peças reunidas a partir das exposições realizadas no período. A cada dois ou três anos, Tuca promove uma exposição de cada um de seus artistas na galeria.
"Se a arte é contemporânea, as pessoas também são", diz. "Muitos ficam em dúvida com a arte contemporânea. Mas estou certo que se comprassem iriam se surpreender a cada dia." (R.U.)





