Contato com as pessoas motiva artista
Enquanto a maioria das pessoas andam olhando para vitrines, para o chão ou para outras pessoas, Bernardo Bento caminha fitando muros. Este é o suporte ideal para suas criações. Formado em designer gráfico pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Bernardo descobriu a rua quando ainda estava na faculdade, em meados de 2002. Na época, confeccionava fanzines e colava cartazes pela rua para divulgar o trabalho.
Da colagem de lambe-lambes para grafitar foi um pulo. Hoje essa é sua principal forma de expressão como artista de rua. Ele explica que o início foi involuntário. "Hoje o que me motiva é o contato com as pessoas, coisa que nunca vai acontecer pintando em outro lugar. Na rua, a resposta é imediata", diz. Bernardo explica que cria temas especiais para serem feitos na rua, diferente dos que faz em casa.
Como a maioria dos anônimos que se expressam por meio da Street Art, o objetivo de Bernardo é não depredar ou afrontar, mas mesmo assim "invade" propriedade alheia. O artista sempre grafita muros de casas fechadas ou então pede para os donos permissão para fazer o trabalho. Além disso, ele costuma pintar de dia, sem a preocupação de se esconder. Mesmo assim, a emoção e o perigo de intervir no espaço público (ou privado e alheio) é grande. "Se tiver que acontecer algo, que aconteça. Não tenho medo", conta ele, que nunca teve grandes problemas por grafitar.
Quando vai para rua, Bernardo transforma-se em Jekill, pseudônimo inspirado no Dr. Jekyll, de "O médico e o monstro", romance de Robert Louis Stevenson. A dupla personalidade da personagem criada pelo escritor escocês influênciou o grafiteiro e designer gráfico de Curitiba. Quando cria para a rua, assina como Jekill. Quando faz trabalhos comerciais, volta a ser o Bernardo original. Ainda que lugar-comum, é a vida que imita a arte que imita a vida que...
... Mas na imitação, a rua é sempre o cenário ideal.





