Contato bem amiúde
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terça-feira, 01 de abril de 2008
Flora Guedes<br>Equipe da Folha 
Não precisa insistir muito para que a memória relembre as reações orgânicas diante de um bolo quentinho de fubá e um café passado na hora. Encher a boca d'água só de pensar na singela refeição, no aroma que toma a casa depois do preparo do doce e da bebida, é quase automático. Fica melhor ainda se acrescentar à imaginação a sensação de conforto proporcionada pelo aconchego da mãe ou da avó preparando as comidinhas na cozinha. Esse mesmo perfume gostoso no ar e as delícias caseiras, fresquinhas, são reconhecidos pelos sentidos quando se adentra o Kaffe Stube, na Água Verde.
A casa, que funciona desde outubro de 2006, serve o autêntico café colonial, da proposta a variedade e textura dos pratos. Antes mesmo de seguir até a pista de alimentação quente - onde fica disposta boa parte dos pratos e bebidas - o cheirinho de comida que acabou de sair do fogo (ou do forno) desperta o paladar.
Em frente aos quitutes, o apetite ganha força, claro. Resistir à uma mesa de bolos ainda fumegantes, cobertos com caldas ou simplesmente polvilhados com açúcar, é uma perda de tempo. Brownie, bolo de chocolate, fubá, limão, laranja, maracujá, mármore, romeu e julieta (queijo e goiabada), papaya com vinho. Tão fresquinhos que desmancham na boca.
''Tudo que servimos é caseiro, aqui não tem nada industrializado. Todos os outros produtos são fresquinhos, se não preparamos, compramos diretamente com produtores da colônia, como é o caso das nossas geléias'', informa a proprietária do Kaffee Stube, Janete Zenin que, durante um ano e meio, se dedicou a estudar o mercado dos cafés coloniais. Conheceu todos as casas de referência no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
''Meu objetivo era descobrir onde os outros cafés pecavam e não repetir os erros. Gramado e Canela têm tradição em café colonial, mas é um exagero a quantidade de comida que servem na mesa, uma mistura grande. E sabemos que, por isso, há muito reaproveitamento e a qualidade cai bastante'', avalia.
Tradição germânica
''Então focamos na higiene, no atendimento e variedade de pratos que foram enxugados. Na mesa do cliente só são servidos a limonada suíça, pão de queijo e salgadinhos frito na hora. O restante do buffet, o cliente mesmo se serve'', explica Janete, que também foi bastante cuidadosa com a decoração, inspirada na tradição alemã - a casa, inclusive, tem arquitetura germânica.
Sobre as mesas são colocadas toalhas com estampas florais e todo ambiente é focado no estilo romântico, com capricho mas nada de excessos e penduricalhos. O Kaffee Stube tem capacidade para acomodar 220 pessoas.
A proprietária optou por não ter um cardápio definido, sempre altera as receitas caseiras, pesquisadas na internet ou mesmo passada por conhecidos, clientes e famílias amigas. ''Não tem segredo. As receitas que preparamos são práticas, feitas com ovos, leite, trigo, como qualquer bolo caseiro. Já fizemos bolos repassados por nossas clientes, que ganham o nome delas. Temos esse contato próximo, bem amiúde com nossa clientela, que nos liga avisando quando virá para que preparemos alguns pratos preferidos'', conta Janete, que faz questão de diferenciar o café colonial de casas de chás, já que nestas últimas são servidos frequentemente tortas e bolos típicos de confeitarias.
O que não se pode pensar dentro de um café colonial, com certeza, é nas calorias que serão consumidas lá. Fique com o prazer de comer bem, que deve ser feito com calma. Fora os bolos, é difícil nem ao menos beliscar cueca virada, bolinhos de chuva, roscas, strudel e pães macios que podem ser combinados com geléias de frutas, conservas e frios.
Em outra mesa, há uma seção de pratos quentes: lasanha, nhoque, pierogis, folhados, madalena, empadões, linguiça acebolada, calabresa com vagem e gengibre. No inverno, é agregado ao cardápio sopas e caldos. Ainda compõem o café tortas e sobremesas geladas, além de bebidas quentes, refrigerantes, sucos de frutas e vinho.
Serviço:
Kaffe Stube (Ten. Max Wolf Filho, 2007, Água Verde)
Abre de terça a domingo, das 16h às 21h
Preço por pessoa: R$ 19,00


