Quando quem consome extrapola sua capacidade de comprar, perde os limites e passa a acumular dívidas, o hábito se transforma em uma patologia, chamada de oniomania ou compra compulsiva. Um problema de difícil identificação, ainda mais num contexto onde o consumismo é aceito e incentivado.
Há, porém, sinais. Se as compras são constantes e em grandes quantidades, se a prioridade for comprar em vez de cuidar da vida pessoal, ou ainda, se sintomas como irritação e ansiedade surgirem quando se deixa de consumir, algo está errado. Como a pessoa que, ao comprar uma camisa, leva outras cinco iguais, só pelo impulso, explica a psicóloga Tatiana Filomensky, do Hospital das Clínicas (SP).
''É provável que muitas pessoas tenham a doença sem saber'', diz Tatiana. No Brasil, não há estatísticas, mas estimativas mundiais indicam para 8% da população, com prevalência de três mulheres para cada homem.
''Nas formas graves da doença a pessoa consome de forma repetitiva e crônica, não consegue se controlar. É o comportamento de qualquer outro adicto. E independe de classe social ou nível de informação. É uma forma de preencher vazios muito primitiva, interna e forte que nos leva a compulsões como essas'', explica o psiquiatra e psicanalista David Zimerman.

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