Marilene Oliveira Cruz, 53 anos, de Cascavel, é dessas donas de casa cuja renda mensal mal dá para pagar as despesas mínimas da família. O casal e um filho sobrevivem com R$ 600,00, mas na sua mesa não faltam arroz, feijão, macarrão e, é claro, óleo de soja, que faz parte da cesta básica de 99% dos brasileiros, pois ainda é o mais barato dos óleos vegetais.
Apesar de o óleo vegetal, especialmente o de soja, ser um item indispensável na lista de compras, a maioria dos consumidores ainda quer saber mais sobre a diferença entre os tipos e, cada vez que vai ao supermercado, olha para a fileira de marcas nas gôndolas sem saber quais os critérios deve adotar na hora da escolha.
É que os óleos vegetais, que foram estigmatizados como inimigos do coração, na realidade, quando usados adequadamente, são indispensáveis ao bom funcionamento do organismo. O que a maior parte não sabe é que existe uma diferença entre os óleos saturados as gorduras do mal (a maior parte de origem animal) e as insaturadas (de origem vegetal) que elevam os níveis de colesterol bom, o HDL, retirando do sangue o colesterol ruim, o LDL.
A dúvida de grande parte dos brasileiros, especialmente os que sofrem com altos níveis de colesterol, obesidade, diabetes ou aficcionados na boa forma, é se a grande quantidade de óleo consumida prejudica ou não a saúde. A professora e química Lireny Aparecida Guaraldo Gonçalves, chefe do Laboratório de Óleos e Gorduras da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, em Campinas, explica que todos os óleos vegetais, independentemente do tipo, têm quase absolutamente nada de colesterol ruim e têm apenas os chamados fitosteróis, bons para saúde.
Doutora da área de óleos e gorduras do Departamento de Tecnologia de Alimentos da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, Lireny aprimorou seus estudos no Instituto Federal de Pesquisas em Lipídos em Munster (Alemanha) e hoje é uma das maiores autoridades no assunto no País. Segundo ela, o colesterol é característico de produto de origem animal.
Qualidade Os óleos vegetais vêm, como o próprio nome diz, de vegetais, e têm sido reportados como redutores dos teores de colesterol sanguíneo. ''São necessários, em doses equilibradas, à nutrição humana'', afirma. O que varia são os preços. Enquanto que o óleo de soja custa entre R$ 1,60 a R$ 2,90, em média, o especial de canola chega a custar R$ 4,99.
No ranking mundial, de acordo com a especialista, o Brasil está entre os países que mais investem em qualidade. A razão é que o Brasil, com poucas exceções, tem atualmente grandes indústrias com matriz no exterior. Os volumes de produção são altíssimos. Unidades de esmagamento às vezes processam seis mil toneladas/dia de soja. Este volume leva a uma logística de ponta. O carro-chefe é o farelo que em seguida puxa o óleo e seu valor agregado. ''Com o aumento de produção, consumo de ração no exterior, de alta qualidade, como a produzida no Brasil, os investimentos são cada vez maiores'', frisa.
Lireny diz que o consumo de óleos vegetais de qualquer fonte tem caído apenas nas camadas mais altas da população. ''Por causa das preocupações com estética e emagrecimento, muitos consumidores retiram o óleo visível da alimentação''. O fato desse contingente ser mínimo, a maior parte dos brasileiros, como Marilene, não abre mão do ''sagrado'' óleo de soja na mesa da família. (Colaborou Carolina Avansini)

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