Consumidor busca agora produtos de maior valor
Os ganhos reais que ocorreram nos últimos anos para o salário mínimo representam uma conquista importante do trabalhador. A afirmação é do economista do Dieese, Cid Cordeiro. ''O Brasil sempre foi considerado um País com grandese desigualdades de renda. O aumento do mínimo vem recuperar parte das desigualdades'', disse.
Cordeiro lembrou que o governo federal definiu uma política de reajuste do mínimo até 2011. A partir de 2008, o salário será reajustado a partir da variação da inflação somada à variação do Produto Interno Bruto (PIB). ''Isso cria um horizonte de médio prazo para a política do salário mínimo e tem reflexo nos demais salários (de quem ganha valores acima de R$ 350)'', destaca.
Não foi apenas o mínimo que trouxe ganhos reais para o bolso do trabalhador. Um balanço do Dieese relativo ao primeiro semestre de 2006 apontou 81,9% dos acordos coletivos de trabalho foram negociados com aumento real de salário.
Com a queda dos alimentos, o consumidor tem folga no orçamento para gastar com outros itens. Ele lembrou que, com o aumento da oferta de crédito e a queda dos juros, as pessoas de renda menor puderam comprar produtos de maior valor como eletrodomésticos e eletroeletrônicos.
Em abril, o salário mínimo passará para R$ 380, o que representa um aumento total de 8,57% e real de 5,3%. Cordeiro lembra que, apesar do incremento do poder aquisitivo, as pessoas que assumiram dívidas podem estar com sensação de aperto financeiro.
O economista destaca ainda que a incorporação de novas despesas que não existiam anteriormente, como o uso de celular, compra de um carro mais caro que tem seguro e IPVA maior, por exemplo, leva à perda de poder aquisitivo.
As famílias que vivem com o salário mínimo sentiram mais o reflexo do aumento do mínimo do que a classe média. Desde o início do Plano Real (em 1994) até agora, o mínimo teve aumento real de 90%. Por outro lado, a classe média não sentiu isso porque de 1998 a 2003 houve queda de 30% na renda. Depois de 2004 até agora, o aumento real nos salários da classe média foi de 8%.
Cordeiro destacou ainda que, quanto menor a renda, mais o padrão de consumo se restringe a itens essenciais. Por este motivo, as famílias de renda menor gastam mais com alimentação e comprometem cerca de 25% do orçamento com alimentos. A classe média gasta cerca de 20% com alimentação. (A.B.)





