Vânia Casado
De Curitiba
A implantação da lei Kandir em 1996, que desonerou as exportações de produtos primários e semielaborados do pagamento de ICMS, e a manutenção de preços compensadores para as commodities no mercado internacional, salvaram a Agricultura dos prejuízos acumulados com o Plano Real. A agricultura ganhou de um lado, mas perdeu muito com o aumento da carga fiscal que passou a incidir sobre o setor, avalia o economista Luiz Antonio Fayet, consultor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Faep) e do Sindimetal, ligado à Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).
Na opinião de Fayet, a política agrícola do governo Fernando Henrique Cardoso foi a pior para o setor no período recente da história econômica. Primeiro a agropecuária exerceu o papel de âncora verde, apesar da liberação total das importações. Depois manteve um câmbio artificialmente valorizado, que só trouxe vantagens para os produtos importados. Em seguida, as taxas de juros praticadas no Brasil eram excessivamente altas em relação às taxas praticadas nos demais países que eram os concorrentes da agricultura nacional. Por fim, a tributação, que já era grande, cresceu na ordem de 4% e hoje varia até 30% do valor do produto.
Fayet relaciona outros fatores que retiram a competitividade do setor produtivo como a falta de reforma agrária. ‘‘O governo não fez a reforma agrária porque não quis e hoje a situação é muito tensa no campo, que impede maiores investimentos’’.
Diante de todo esse cenário negativo, a agricultura ‘‘só não entrou em colapso porque os preços internacionais dos produtos agrícolas estiveram muito bons de 1993 até o ano passado’’, diz Fayet. Mas ele não arrisca nenhuma previsão de estabilidade para a próxima safra, com a derrubada dos preços das commodities no mercado externo para os níveis mais baixos dos últimos 20 anos, apesar das melhorias dos preços dos produtos em real. Segundo o consultor, a desvalorização trouxe um fôlego para a Agricultura, mas permanecem dois problemas graves: a queda dos preços internacionais e o aumento da carga fiscal.
Fayet não vê perspectivas de reação nos preços das commodities para a safra 1999/2000, exceto se houver mudanças no clima a ponto de influenciarem negativamente o desempenho da safra norte-americana de soja. Como o grão é o carro-chefe das commodities, qualquer abalo na produção dos EUA pode provocar, no embalo, reações nos preços do trigo, milho etc... As margens de comercialização ficaram mais apertadas e a tendência é de queda no plantio de soja. Há fortes indícios de redução drástica de área na produção de soja do Centro-Oeste.

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