A falta de pedreiros e profissionais ligados à construção civil levou as construtoras a investir na capacitação da mão-de-obra. Qualidade na obra e oportunidade de emprego para muitas pessoas que estavam sem registro em carteira de trabalho. Estão sendo ofertados cursos para formação de pedreiros, carpinteiros e várias outras funções ligadas à obra e também à reciclagem dos colaboradores. A Construtora A. Yoshii, por exemplo, promoveu seis cursos de formação e qualificação neste ano.
  ‘‘Além de melhorar a qualidade do pessoal, há a necessidade por mão-de-obra, que foi muito forte no primeiro semestre deste ano e no terceiro trimestre do ano’’, observa Aparecido Siqueira, gerente de Recursos Humanos da A.Yoshii. A construtora iniciou o ano com 1.040 funcionários e hoje o quadro é de 1,6 mil, a maioria profissionais ligados à obra. Siqueira conta que eles chegaram a contratar até profissionais de outros Estados e ainda há vagas para 150 cargos, a maioria para pedreiros e carpinteiros.
  A Plaenge também aumentou o seu quadro de funcionários em mais de 70% neste ano. A partir deste segundo semestre houve uma redução em 50% nas contratações para o departamento de vendas mas, em compensação, cresceram as ofertas para profissionais com atuação mais direta em obras. A construtora também investiu na formação de mão-de-obra ao fundar a Escola da Construção Plaenge. ‘‘É difícil encontrar mão-de-obra de qualidade e até para escola é difícil de encontrar interessados, apesar do aquecimento do mercado’’, observa Luciana Siqueira da Silva, gerente de Recursos Humanos.
  Na sua avaliação, um dos principais desafios para o futuro é tornar atrativa a profissão de pedreiro. ‘‘Falta conscientização e um trabalho de valorização da categoria. É até uma questão de status, uma vez que a profissão é imporante para o desenvolvimento das cidades e fundamental para a infra-estrutura’’, comenta. O operador de grua Leandro de Andrade Martins aproveitou a chance de mudar de profissão há cinco anos. Na época trabalhava como mototáxi, sem registro em carteira, quando recebeu o convite de um conhecido para atuar como servente de pedreiro.
  ‘‘Surgiu a oportunidade e aceitei porque o salário era melhor’’, lembra Martins. Ele mora em Ibiporã e, assim como milhares de trabalhadores, vem a Londrina todos os dias para ganhar o seu sustento. Depois de empregado, matriculou-se no curso de capacitação oferecido pela construtora e hoje é operador de grua. ‘‘Fiz o curso para aprender uma profissão diferente e melhorar meu salário’’, diz. Mesmo assim, não pensa em parar. O próximo passo é fazer o curso de cremalheiro. (F.M.)

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