Arquivo FolhaPara cima, sempre!Obra é erguida este ano em Londrina: desempenho positivo em 1997 ano permite projeções otimistas para 1998 Ao lado das novas indústrias que se instalam no município - e também impulsionada por elas - a construção civil tem tudo para sustentar a guinada da economia londrinense em 1998. Depois de anos difíceis, especialmente 1993 e 1994, o setor recuperou-se lentamente, cravou desempenho positivo nas estatísticas de 1997 e permite projeções otimistas para o ano que vem. É verdade que o pacote fiscal do governo pegou os empresários no contrapé justamente no momento em que planejavam os investimentos para o novo ano e projetavam expansão de produção, empregos e renda. Mas os planos de retomada não foram ‘‘empacotados’’ e as perspectivas são de crescimento da atividade no próximo ano. Em alguns aspectos, as medidas oficiais podem até favorecer o setor.
A indústria da construção é uma das mais representativas do município. Nos anos 80, viveu um boom de impressionar. Até 1987, foi a locomotiva da economia londrinense na área industrial. Em 1988, Londrina ganhou notoriedade pelo seu dinamismo imobiliário. Era notícia nacional pelos lançamentos comercializados em tempo recorde: prédios inteiros chegaram a ser vendidos em 24 horas. Londrina crescia sem parar - para cima.
Mas a ‘‘década perdida’’ parece ter chegado com atraso ao setor. Os anos 90 têm sido difíceis. Especialmente em 1992 e 1993 o setor atravessou a sua fase mais crítica: o total de obras aprovadas pela Prefeitura, que em 1990 e 1991 registrava a média de 875 mil metros quadrados (já inferior aos bons números do final dos anos 80), despencou para pouco mais de 500 mil metros quadrados. Um período negro. Só em 1994 o nível de produção igualou-se ao dos primeiros anos da década. No ano seguinte, novo tombo - 1995 fechou com pouco mais de 760 mil metros quadrados aprovados. A reabilitação começou a dar sinais em 1996 - animadores 1.043.000 metros quadrados - e foi consolidada pelo desempenho deste ano, que deve, na pior das hipóteses, terminar empatando com o anterior em volume de obras (até outubro, a Prefeitura havia aprovado 850 mil metros quadrados).
‘‘As perspectivas para 1998 são muito boas’’, afirma o presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Civil de Londrina, Atsushi Yoshii. ‘‘Tudo leva a crer que a política de juros altos do governo e de contenção de consumo seja temporária. Não será possível manter taxas tão elevadas nesse cenário de estabilidade que vivemos desde a implantação do Real’’, avalia Yoshii. Mas, ainda que os juros não baixem em curto prazo, ele observa que isso não deverá ter impacto negativo para o setor. ‘‘Na construção, trabalhamos com taxas históricas de 12% ao ano. Na competição com outros investimentos - como a compra de carro novo, por exemplo, que hoje tem juros superiores a 2,5% ao mês - o imóvel certamente será um ativo mais compensador.’’
O setor já esperava um 1998 redentor. E nem mesmo o pacotaço de novembro esfriou esse otimismo, calcado em dados objetivos, diz o presidente do Sinduscon. ‘‘O que importa é que, depois de tantos anos de atividade baixa, existe mercado para imóveis em Londrina. E, se há mercado, vai haver produção’’, diz Yoshii. O carro-chefe do setor hoje, segundo ele, são os apartamentos de até 100 metros quadrados, com preços finais na faixa de R$ 35 mil a R$ 40 mil. ‘‘São imóveis com padrão mais popular e demanda crescente’’. Mas também há espaço para a comercialização de apartamentos com mais de 150 metros quadrados, agora não mais dirigidos à classe média baixa mas absorvidos por um público de maior poder de compra. Esse perfil de cliente busca moradias com duas garagens, suíte e outras comodidades extras, diz Yoshii. ‘‘O perfil do mercado hoje é muito mais nítido do que antes’’, nota.
Outro ponto que conta a favor do setor é o preço do imóvel hoje em Londrina. Yoshii diz que os apartamentos custam de 15% a 20% menos do que similares em Curitiba, enquanto que tradicionalmente ocorria o inverso: os imóveis na capital do Estado costumavam ser 10% mais baratos do que em Londrina. Com a força de novas fontes de recursos para a habitação - em especial a criação do Sistema Financeiro Imobiliário, o SFI - os empresários do setor acreditam que vão conseguir dinamizar a atividade nos próximos meses e mudar a história da construção civil pelo menos no finalzinho dessa década crítica.
O avanço da construção civil no ano passado já se deveu ao aumento de canais de financiamento, observa Yoshii, além do fato de os empresários terem se adaptado à nova conjuntura econômica, passando a trabalhar com recursos próprios - quando possível - ou operando através do sistema de condomínio. ‘‘Com o aumento da oferta de crédito imobiliário, a situação já melhorou. Em 98, quando ela deve crescer ainda mais, e levando em conta que deverá haver também ampliação das obras públicas por tratar-se de ano eleitoral, só podemos prever bons resultados.’’
Com esse panorama pela frente, os empresários não mostram disposição em suspender lançamentos ou desistir de empreendimentos que estavam programados para 1998. O empresário Ézaro Fabiano Medina, proprietário da Plaenge, acha que 1998 é de fato um ano que promete, apesar de o pacote de medidas do governo ter provocado um certo ‘‘abalo’’ no setor. Os juros estratosféricos e a perspectiva de crescimento menor do PIB (o Produto Interno Bruto - que mede a produção nacional) diminuíram um pouco o ânimo entre os empresários. Mas ele acha que o cenário é promissor.
No segmento de obras industriais - 45% do total de empreendimentos da construtora -, Medina afirma que as medidas econômicas deverão até ter impacto menor. ‘‘Os empreendedores dessas novas indústrias julgam a crise transitória e, como trabalham com planejamento de médio e longo prazo, não estão inclinados a cancelar os seus projetos.’’
Yoshii diz que essa é, de modo geral, a tendência do setor. ‘‘Minha construtora tem projeto aprovado para um prédio residencial e não pretendemos recuar. O empresário hoje está mais cuidadoso e, se projeta uma obra, é porque sabe que se trata de um projeto viável. Hoje ninguém mais se lança de maneira aventureira.’’

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