''Já comecei a fotografar querendo ser fotógrafo'', conta Albert Nane, que comprou uma Nikon FM 10 depois das primeiras aulas na faculdade de jornalismo, a qual não concluiu. Se Anuschka Lemos foi a primeira professora, teve na sequência uma segunda grande referência em Milla Jung. Ele veio de Teresina, Piauí, aos 11 anos. De mãe escritora e pai cartunista, hoje Nane, aos 27 anos, é um dos principais talentos da nova geração de fotógrafos que constrói a cidade com imagens.
Em seu caso, sem qualquer pudor ao efetivamente inferir nessa construção. Na época da fotografia analógica no começo dos dois mil, tratava de resolver a foto no clique, no enquadramento. ''Hoje já fotografo pensando no tratamento'', diz. No autorretrato que vemos nesta página, seu rosto foi deformado, mexido no Photoshop. ''Nem chamo de autorretrato. Represento uma pessoa. É mais fácil se colocar e assumir o risco do que usar uma imagem de outro'', explica.
A intervenção também está nas demais fotos desta página que receberam luzes ou sombras artificiais - caso do rosto do senhor de guarda-chuva -, eliminação de ruídos na imagem do homem sentado ou uma colagem - Nane inseriu seu retrato feito por Rafael Bertelli sobre uma imagem que produziu de uma pessoa dentro de um ônibus.
Um dos trabalhos do início de sua trajetória, ''Pombos'' foi reproduzido pelo site O Plano B. ''Com a câmera na mão, fazia um gesto com o braço para incitar o voo dos pombos e quando eles voavam, eu clicava'', explica. Ali, o gesto se tornava a imagem e o pombo, ainda que em movimento, virava um elemento estático enquanto a cidade, ao fundo, aparecia como um risco.
A imagem, com a placa ao fundo, é das mais recentes, e das poucas da série dos pombos feitas em digital. O momento, por sinal, marca um retorno de Nane ao fotografar na rua, do começo de sua história com a fotografia. Para conhecer mais de seu trabalho, que já flertou com a pintura e hoje conversa com a música, acesse o blog www.albertnane.blogspot.com

mockup