Um dos primeiros estruturistas de Londrina, o engenheiro civil José Augusto Queiroz, 83 anos, continua atuando na cidade em um escritório na Avenida Juscelino Kubitschek. Em Londrina desde 1956, trabalhando na construção dos mais antigos edifícios, como o Alvorada, Queiroz conheceu de perto a evolução da cidade para cima.
Ele dá a dica:''Se você quiser saber a idade de um prédio, observe a quantidade de colunas que ele possui. ''Edifícios como o Autolon, o Monções, estão cheios de pilares. Décadas atrás, era necessária uma coluna a cada 12 metros quadrados de área construída. Hoje você usa só um pilar para sustentar 90 metros quadrados'', afirma.
Segundo Queiroz, o tempo para conclusão de um edifício foi bastante reduzido com o passar dos anos, mas os custos não. ''A tecnologia vai melhorando, mas as coisas não barateiam por causa da carga tributária. Hoje, em tudo que você faz está dando três vezes mais para o governo do que eu dava no meu tempo'', avalia. As obras ficaram mais rápidas com o avanço dos maquinários, segundo o engenheiro. Se naquela época se concretava cerca de dois metros cúbicos por hora, hoje são 16 metros cúbicos no mesmo intervalo.
''Se você levava oito dias para concretar, hoje leva só um. O acabamento ficou o dobro mais rápido. Mas para assentar tijolo, o pedreiro daqueles tempos era mais rápido. Chegava para pedir emprego e dizia 'eu sou pedreiro de mil tijolos por dia'. Hoje, você só acha quem assente 500, no máximo 600'', ilustra.
Sobre os rumos tomados pela Londrina vertical, Queiroz acredita que a cidade teve um desenvolvimento desordenado e critica as administrações públicas concentradas nas mãos de ''burocratas''. ''Criaram-se punhados separados de prédios, vários bloquinhos isolados pela cidade, que exigem toda uma infra-estrutura deslocada para eles. O correto seria ordenar uma cidade de modo que os serviços fossem exequíveis. O planejamento urbano deve ser baseado em serviços, e não em política'', alfineta.(V.N.)

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