Alexandre Sanches
De Londrina
A construção civil em Londrina já teve os seus altos e baixos. Hoje, ela está seguindo num ritmo normal, conforme a economia brasileira permite os investimentos. A afirmação é do arquiteto e presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal), Clóvis Bohrer.
Nos finais dos anos 70 e início da década de 80, Londrina sentiu o crescimento na indústria da construção – sistema de condomínios residenciais – ao mesmo tempo em que a cidade começava a ganhar novos conjuntos habitacionais. ‘‘A construção civil, na década de 80, descobriu o sistema construtivo através de condomínios, que reduziu custos. As empresas de Londrina passaram a desenvolver obras, não somente no município, mas em todo o Brasil’’, comentou.
E o crescimento foi bastante visível no sentido vertical, ou seja, na quantidade de prédios que foram construídos, principalmente na área central da cidade. ‘‘Este crescimento se deu, inclusive, pela falta de um Plano Diretor, na época, que não permitia a construção de condomínios residenciais horizontais. Por isso, até numa questão de cultura do brasileiro, construiu-se muitos prédios na cidade’’. Com esta característica, mesmo com o município tendo aproximadamente 500 mil habitantes, pode-se atravessar a cidade, com o trânsito calmo, em torno de 15 minutos.
O boom do crescimento em Londrina se deu principalmente com o Plano Cruzado, quando aconteceram as grandes construções de prédios populares, com apartamentos pequenos e com vários blocos. ‘‘A economia favoreceu isso. E este crescimento esqueceu de valorizar a qualidade de vida do cidadão’’, salientou Bohrer.
Outro fator que favoreceu o segmento foi o fenômeno dekassegui, ainda no início dos anos 90. Os descendentes de japoneses que saíram da região e foram trabalhar no Japão investiram na construção civil, aquecendo o mercado imobiliário. Porém, a crise econômica e a queda do real no câmbio internacional desaqueceram as vendas.
Hoje, com o fim deste fenômeno, a construção civil está voltando a trabalhar em ritmo normal. ‘‘Eu considero que o ritmo de obras está indo dentro do esperado. Atualmente as construtoras trabalham com o conceito da gestão de qualidade e produtividade, procurando valorizar o conceito de qualidade de vida’’, informou Boher, dizendo que este enfoque está incorporado em todas as empresas. A preocupação principal está na ocupação urbana e paisagística.
Além desta valorização dos imóveis no conceito de qualidade de vida, Bohrer afirmou que Londrina está, também, registrando o crescimento de condomínios horizontais, de acordo com o Plano Diretor da cidade. ‘‘Além dos loteamentos urbanos, que demonstra que a população deseja morar em residências, há muitos condomínios fechados espalhados pela cidade’’, afirma o arquiteto.Depois do boom dos prédios de condomínio, a vez adora é dos condomínios horizontais
Arquivo FolhaNOVO TEMPOAgora, segmento da construção em Londrina dedica mais atenção à qualidade de vida e de meio ambiente em seus projetos, que levam em conta preocupações urbanísticas e paisagísticas

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