Consórcios beneficiam pequenos municípios
De acordo com especialistas ouvidos pela FOLHA, a solução para o lixo não é tão complicada quanto parece, mas demanda vontade política e ações concretas desde a coleta. Separar e destinar corretamente o que é reciclável diminui em até 40% o volume de rejeitos que chegaria aos aterros sanitários. Porém, de acordo com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), 189 municípios paranaenses ainda não desenvolvem nenhum projeto de coleta seletiva.
Nos aterros, a compostagem que transforma o lixo orgânico em adubo agrícola pode causar uma redução ainda maior do montante que acabaria sendo aterrado. E por falar em material aterrado, dele é possível aproveitar o gás resultante da decomposição para a produção de energia elétrica, o que é viável desde que haja um volume razoável de lixo aterrado. Daí a importância da formação de consórcios, principalmente entre pequenos municípios, para operarem aterros.
Hoje, somente 40 cidades do Paraná possuem aterros em sistema de consórcios enquanto, de acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 245 municípios do Estado têm menos de 15 mil habitantes.
Para a diretora de Meio Ambiente e Responsabilidade Social da Sanepar, Maria Arlete Rosa, falta interesse dos prefeitos para que os consórcios se tornem realidade. Já temos uma diretriz sobre consórcios no Estado. Na verdade, eles são determinantes para a destinação do lixo na maioria dos nossos municípios, mas os prefeitos têm que se convencer que eles resultarão em ganhos econômicos e ambientais. Ela disse também que há o estudo para que Cianorte (Noroeste) comece a processar, por meio de uma operação regionalizada, o lixo das cidades de Terra Boa, São Tomé e Araruna.
A Sanepar opera o aterro sanitário de Cianorte (Noroeste) e pretende instalar por lá a primeira planta de produção de energia elétrica a partir de gás do lixo no Paraná. Segundo Maria Arlete, só faltam algumas melhorias na tubulação de captação do gás.
Em Bandeirantes, o projeto no qual trabalha o professor Robinson Osipe também prevê a possível reunião de vários municípios para operarem juntos o futuro aterro sanitário que funcionará na cidade.
Para o presidente do IAP, Vitor Hugo Burko, também é fundamental um processo de educação da população. Na grande maioria de nossas cidades as pessoas moram em casas e têm espaço para separar o lixo reciclável do orgânico. Melhor ainda, podem fazer a compostagem dos seus restos de alimentos no próprio quintal, depois usando esse material como adubo do jardim ou da horta. Atitudes como essas reduziriam consideravelmente o volume de lixo nos aterros, comentou Burko, que prometeu o lançamento de uma cartilha que ensina a compostar o lixo no próprio quintal até o fim do ano.
O empresário Luis Carlos dos Santos é um estudioso desse assunto. Ele á autor de uma monografia sobre o destino dos resíduos sólidos de Londrina, apresentada ao Ciclo de Estudos de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg). Ele concorda que um aterro bem gerenciado e o sistema de consórcios são soluções viáveis. É preciso que todos pensem no meio ambiente e que não se incomodem com o lixo apenas quando ele está na porta de casa. (W.S.)





