O conceito é subjetivo, mas muitos acreditam que existiu um jeito de se fazer política ''à moda antiga'', mais sério, mais ético e mais competente do que se observa em administrações públicas recentes, em todas as esferas. É nessa linha de pensamento que se inserem grande parte das opiniões sobre o ex-prefeito Milton Ribeiro Menezes, a exemplo dos primeiros administradores de Londrina pós-ditadura Vargas, depois de 1947.
Ana Rosa Menezes, 52 anos, filha mais nova de Menezes, afirma que seu pai ''fez parte de um time de políticos que respeitava certos valores que hoje estão perdidos''. Ela lembra que o ex-prefeito repetia, na administração da cidade, o jeito que tinha de lidar com a família, com rigidez e controle de gastos.
''Era uma pessoa com respeito pela coisa pública, tinha muito cuidado com o dinheiro que se gastava. Contam que certa vez um secretário pediu que ele deixasse as questões menores por conta dele, para que o prefeito se ocupasse de coisas grandes. Ele (Menezes) disse que para as grandes já havia toda uma infra-estrutura, e que ele queria era estar por dentro das pequenas'', destaca.
O jornalista Délio César, que teve amizade com Menezes e também trabalhou ativamente em administrações municipais como vice-prefeito de Wilson Moreira acredita que a honestidade dos políticos ''antigos'' refletia os costumes da própria época. ''O País era outro, a política era outra. Os antigos eram pessoas extraordinárias, corretas. De uns tempos para cá, a regra é a corrupção e a improbidade administrativa em suas várias formas'', afirma.
Délio lembra que Menezes fez parte de uma trajetória de prefeitos conservadores, interrompida somente com Dalton Paranaguá, em 1970. De Hugo Cabral (1947-1951) a José Hosken de Novaes (1963-1969), a União Democrática Nacional (UDN) esteve a maior parte do tempo no poder. Paranaguá foi eleito pelo MDB e, segundo César, que ajudou a estruturar o partido, foi leal à linha de centro-esquerda do partido.
''Evidente que essa virada introduziu na administração pública um outro tipo de mentalidade. Naquele período, o mundo todo passou por uma revolução, não só política, mas moral, cultural etc. Visto em matéria de costumes, de princípios, foi pior: alguns valores ficaram para trás e veio o mundo moderno da licensiosidade'', conclui. (V.N.)

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