Reunindo às leis já existentes propostas mais modernas de gestão ambiental, o projeto do Código Municipal do Ambiente é também uma forma de se garantir a continuidade da política ambiental implantada em Londrina. Elaborado pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consemma), o código contém 315 artigos que, passando pela aprovação da Câmara, dará poderes à Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) para gerenciar e fiscalizar a liberação dos licenciamentos ambientais, inclusive aplicando multas. Os recursos obtidos com os licenciamentos e as multas serão utilizados na preservação das riquezas ambientais do município.



Em Londrina são produzidos diariamente uma média de 440 toneladas de lixo. No entanto, com o benefício do programa de coleta seletiva, todos os dias 86 destas toneladas deixam de ir para aterros e vão para a reciclagem. ‘‘Mas se levarmos em consideração o volume e não o peso, a redução chega a 50%. Isso porque o material reciclável tem volume maior que o ôrganico, mas pesa menos’’, diz José Paulo da Silva, coordenador do projeto de coleta seletiva da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU).
  Iniciado em 1996, o projeto de coleta seletiva londrinense só alcançou os resultados esperados a partir de 2002, quando a prefeitura reestruturou o plano de coleta, passando a inserir diretamente o catador de lixo no processo. Atualmente, o programa atinge mais de 90% dos bairros da cidade e envolve 26 ONGs, gerando emprego e renda para mais de 500 trabalhadores. Ainda em 2002 foi criada a Central de Prensagem e Vendas (Cepeve), administrada pelo Conselho das Organizações dos Profissionais da Reciclagem dos Resíduos Sólidos de Londrina, e responsável pela organização dos catadores de lixo da cidade, que anteriormente trabalhavam sem capacitação e com dificuldades de venda do material recolhido.
  Silva conta que a entidade foi criada com o objetivo de buscar recursos para os grupos empreendedores, que hoje trabalham juntos para oferecer pré-tratamento de melhor qualidade do lixo reciclável, aumentando o valor agregado das vendas. Além de coordenar as atividades desenvolvidas dentro do local onde está instalada, a Cepeve ainda oferece cursos de capacitação, que envolvem temas como abordagem na rua e educação ambiental.
O diferencial
  O que este projeto traz de inovador e eficiente é uma proposta muito simples, segundo o coordenador: o catador faz a coleta do lixo de porta em porta nas casas, esclarecendo para os moradores a importância e as vantagens de se fazer a coleta seletiva. ‘‘Com isso, o município conseguiu resultados admiráveis. Em 2001, antes das mudanças serem implantadas, apenas 4 toneladas do lixo da cidade eram destinadas para a reciclagem, hoje esse número é 20 vezes maior. Mas o principal avanço foi o resgate da cidadania desse trabalhadores, que com os incentivos passaram a trabalhar com mais dignidade, conscientes da relevância social que tem o serviço que prestam’’, ressalta José Paulo da Silva.


"A integração entre os moradores e o pessoal que passa semanalmente recolhendo o lixo reciclável aconteceu rapidamente e de uma forma muito bacana. Sabemos os nomes deles e eles o nosso. Faço a separação do lixo porque não entra mais na minha cabeça misturar ao lixo orgânico algo que pode dar renda a quem necessita. Eles fazem um serviço que considero de muita importância. Além de garantir o seu ganha pão ainda ajudam a população a preservar o meio ambiente diminuindo o lixo que acaba no solo ou na água"- Maria Celeste Gonçalves de Oliveira, dona-de-casa e moradora do Conjunto Antares, em Londrina

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