Quando chegou a Londrina, Rosalina Batista foi logo morar na Zona Rural. Pouco tempo depois, estava na cidade, mas mesmo assim continuava com o trabalho na terra. Tentou emprego de doméstica mas o fato de morar no Jardim Franciscato fazia aflorar nas possíveis patroas algo terrível, o preconceito. ''Foi por causa desse preconceito que surgiu a Associação das Mulheres Batalhadoras'', conta Rosalina, uma das fundadoras da primeira associação de mulheres de Londrina, surgida no final dos anos 80.
Hoje, só na Zona Sul são 21 associações de mulheres (a cidade inteira conta com quase 60 associações). Fonte de inspiração para muita gente, Rosalina demorou muito tempo para assumir seu espírito de liderança. ''Minha auto-estima era muito baixa. Achava que o analfabeto não tinha espaço na sociedade'', explica. ''Quando eu passei a acreditar que era importante, as coisas mudaram porque aí eu sabia que não precisava ficar importante e que todos são importantes'', filosofa.
Alfabetizada depois de adulta, a líder comunitária conseguiu para o seu bairro algo que impressionou muitos diplomados. Enquanto participava em Miami, nos Estados Unidos, de um congresso de desenvolvimento comunitário para representantes da América Latina, descobriu que poderia angariar recursos se tivesse um projeto revolucionário na área de informática. ''Tinha que ser algo que valorizasse o saber popular'', lembra.
Em parceria com um sociólogo da Universidade Estadual de Londrina, enviou para uma fundação norte-americana o projeto de uma biblioteca virtual e conseguiu para o seu bairro uma verba de US$ 100 mil. Independente de repasses públicos, a biblioteca se mantém com vendas de artesanatos e cursos. A última novidade é o jornal da comunidade, totalmente editado por moradores da região.
Como a visão de Rosalina vai muito além das fronteiras do Jardim Franciscato, ela já se prepara para novos projetos. ''Quando você sonha que há capacidade de mudar, consegue tudo'', garante Rosalina, que lembra com satisfação do projeto com as recicladoras de lixo que antes nem tinham onde morar e agora têm até conta em banco.
Apesar de tantos benefícios conquistados para a vizinhança, Rosalina sobrevive com a ajuda financeira da filha. ''Tive que abrir mão de um salário fixo para ter mais tempo para ajudar quem precisa''.

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