Conjuntos mostram crescimento rápido da Fazendinha
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de janeiro de 2008
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Quem vem pela Rua Bocaiúva, em Santa Quitéria, em direção ao bairro Fazendinha, tem, logo na entrada, a grata satisfação de encontrar os dois principais cartões postais do bairro. Um deles é a própria rua que, de repente, transforma-se em uma estradinha de curvas ladeada de árvores, dando a impressão de uma pequena serra. O outro, já na rua principal, a Rua Carlos Klemtz, é o Bosque Fazendinha, uma grande área verde, que abriga a Casa Klemtz, principal testemunha da história do bairro.
A historia do bairro está diretamente ligada à trajetória dos Klemtz e das duas olarias criadas pela família. Segundo informativo da Casa Romário Martins, ligada à Fundação Cultural de Curitiba, por muito anos elas foram uma das poucas opções de trabalho na região. Tudo começou com Francisco Klemtz, imigrante alemão que chegou ao Brasil em 1871 e a partir de 1887, junto com a esposa Bertha, também imigrante alemã, comprou três porções de terra na Fazendinha.
Foram nessas terras que ele fundou a Olaria Esperança, feita com equipamentos que ele mesmo foi comprar na Alemanha e que tornou-se uma das mais importantes indústrias do setor no País. Conta a história que inicialmente a olaria ficava nas proximidades do rio Barigüi, mas por causa dos constantes alagamentos que a região sofria com as cheias do rio, foi transferida, mais tarde, para cerca de 500 metros acima, no local onde hoje se encontra o Parque Residencial Fazendinha, um enorme conjunto de apartamentos.
No meio dos prédios, bem ao lado do Bosque Fazendinha, a chaminé da antiga fábrica sobrevive ao tempo. Assim como a casa onde morou a família, no terreno ao lado. A imensa chácara que abrigava a propriedade transformou-se no bosque, área de lazer para uso da população. A casa construída em estilo neoclássico em 1896, por sua vez, foi restaurada pela prefeitura e hoje o local abriga o Liceu das Artes e uma Oficina de Restauro.
Moradores antigos desconhecem detalhes da história mais antiga, mas reconhecem a evolução rápida do bairro, principalmente a partir dos anos 60, com o loteamento de terras pertencentes a antigos proprietários, e dos anos 70, quando ganhou energia elétrica, escolas, postos de saúde, mais transporte coletivo. Foi nessa época que surgiram diversos loteamentos, como o Santa Amélia, Santa Helena, Jardim Independência, Vila Ragoni, que até hoje são confundidos pelos moradores como bairros autônomos, quando na verdade pertencem à Fazendinha.
Grande impulso
O grande impulso para o crescimento veio com a implantação da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), em 1973, que levou muitas famílias de trabalhadores a fixar residência no bairro ao lado. Como resultado desse crescimento, em 1992, foi inaugurado o terminal Fazendinha, integrando as linhas de transporte. Em 96, o bairro ganhou a Rua da Cidadania. Hoje a Fazendinha é um bairro cheio de comércio, que conta com aproximadamente 25 mil habitantes.
Foi uma evolução muito grande, não tinha asfalto, nem ponte, às vezes até caía alguém dentro do rio, diverte-se o simpático Olivo DallAgnol, de 80 anos, dono de um bar que, por causa das risadas constantes do proprietário, ficou conhecido como o Bar do Risadinha. Olivo, que há 30 anos trocou os pampas gaúchos pelos então banhados da Fazendinha, um dos muitos bairros da cidade cortado pelo rio Barigüi, não se arrepende: Agora aqui tem tudo, a vida é muito boa aqui. E o pessoal é uma família só, um dá a mão para o outro, diz.
Mais de 100 anos depois que a Olaria Esperança teve que ser transferida de local por causa das enchentes causadas pelo rio Barigüi, esse mesmo problema continua incomodando os moradores. Quando tem chuva forte, a gente já fica com medo. O rio sobe e alaga as ruas, conta Valdir Paula da Silva, de 40 anos, que há 6 mora na Vila Colombo, onde também é dono de um mercado de frutas, o Silva Varejão.
Para o cunhado dele, Antonio Prieto Netto, de 44 anos, há 16 morando no bairro, uma das causas é o despejo desordenado no rio, feito por famílias das muitas áreas de invasão existentes no local. É muito asfalto e pouca terra para escoar a água da chuva, que vai enchendo o rio. Bom seria se a prefeitura tirasse as famílias que vivem na beira do rio e plantasse árvores ali, diz.
O replantio da mata ciliar, cabe salientar, faz parte do programa Viva o Barigüi, lançado em março deste ano pela prefeitura. O programa de revitalização do rio prevê a transferência das famílias que vivem a menos de 30 metros da beira do rio, e a construção de parques nas margens. Um deles é o Parque Cambuí, perto do Terminal da Fazendinha, cujas obras começaram em outubro.
SAIBA MAIS
Conheça algumas curiosidades da Fazendinha
- Geografia
O bairro está situado na região sudoeste de Curitiba e faz divisa com os bairros Cidade Industrial, Campo Comprido, Santa Quitéria, Portão e Novo Mundo.
- Origem do nome
Uma trilha, muito utilizada por tropeiros, que unia a estrada de São José à dos Campos Gerais e facilitava a trajetória do gado e das tropas que desciam para o litoral, vindos dos Campos Gerais, acabou inspirando o nome do bairro da Fazendinha. A trilha era chamada de ''Atalho da Fazendinha'' ou do ''Rodeio'', por fazer a ligação entre o Campo Comprido e o Portão, reduzindo em algumas léguas a viagem. Assim, sempre que os tropeiros queriam se referir à região tratavam-na como Fazendinha.


