Tudo começou em 1989, em um bar do Jardim Bancários (Zona Oeste). Lá se reuniam alguns amigos e violeiros apareciam para animar a roda de conversa. Logo a turma resolveu que os encontros deviam ser semanais. Nascia a Confraria da Viola.
Desde o início, as reuniões acontecem às segundas-feiras. Nos primeiros anos, todas as semanas. Atualmente, a cada 15 dias. Cheia de particularidades e regras, a confraria é um espaço típico de celebração da amizade e, é claro, da música caipira.
''Somos um grupo de amigos que se reúnem para comer e ouvir o que gostam. Quem canta não paga e quem ouve tem de pagar'', explica o professor Cléber Tóffoli, pesquisador de música sertaneja, apresentador de rádio e um dos fundadores da Confraria.
Para fazer parte do grupo, o candidato deve ser indicado por um confrade e participar de algumas reuniões. Depois, acontece uma reunião entre os confrades e o novo membro só será aceito se o sim for unânime. Reprovações já aconteceram. Mulher só entra se for violeira ou nas comemorações de Natal e Dia das Mães. Só quem é profissional pode cantar, os amantes da música apenas ouvem. Também só se toca música caipira. As reuniões se encerram, no máximo, às 22h15.
Acima de tudo, a Confraria é lugar de gente de bem com a vida. E não poderia ser diferente, uma vez que a comida - preparada pelo cozinheiro João Danziger, funcionário público que faz da atividade de preparar o rango dos confrades uma terapia - é das mais caprichadas. A cerveja é gelada e o vinho dos mais conceituados. O lugar das reuniões, uma chácara na Zona Sul, é muito agradável.
''A Confraria é sinônimo de amizade, divertimento e paz'', sintetiza Job Júnior, gerente de negócios de uma instituição bancária, que desde 1985 se dedica também à música. E o conceito dos artistas que agraciam os confrades com a cantoria é tão elevado no meio sertanejo que o grupo londrinense já é conhecido em diversos cantos do país. Entre outros, soltam a voz por lá Preferido e Predileto, Alencar, Guaçu, Zé da Viola, Gardino, Ademir e Havaii.
Segundo Betoni, artistas como João Mineiro e Marciano, Sérgio Reis, Irmãs Galvão e Inezita Barroso, quando passaram por Londrina, fizeram questão de visitar a Confraria da Viola. Além disso, pela terceira vez consecutiva os londrinenses são convidados especiais para a cerimônia de encerramento da Festa Nacional do Champagne, a Fenachamp, que acontece nos meses de setembro e outubro em Garibaldi-RS.
''Nossa Confraria ficou famosa em Garibaldi. Só para você ter uma idéia, em uma das nossas idas até lá, o Rossi escreveu uma música para a cidade que virou praticamente um hino por lá'', diz o responsável pelo intercâmbio entre londrinenses e gaúchos, Flávio Nicolao, representante comercial nascido em Garibaldi, que há 19 anos mora em Londrina. (W.S.)

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