Da Redação
Durante quatro anos (1912 a 1916), uma faixa na divisa do Paraná com Santa Catarina foi palco da Guerra do Contestado, na qual morreram mais de 20 mil pessoas. Comparada por muitosà Guerra de Canudos, esta também teve como estopins causas sociais e religiosas. Rebeldes liderados pelo monge José Maria tentaram reimplantar a monarquia na região, mas acabaram massacrados pelas forças legalistas.
O Governo da Província do Paraná recebeu, como herança, logo ao ser criado, um antigo litígio fronteiriço entre São Paulo e Santa Catarina, nas proximidades dos campos de Palmas. A disputa de fato vinha do século 18, pois muitas indústrias argentinas, produtoras de erva-mate, extraíam matéria-prima da região.
Durante o Império, Santa Catarina reivindicava as áreas compreendidas entre os rio Negro, Iguaçu e Uruguai, até a fronteira com a Argentina. O Paraná herdou de São Paulo as mesmas medidas meridionais, fazendo fronteira com o Rio Grande do Sul, através do rio Uruguai.
A questão internacional (com a Argentina) foi resolvida mediante arbitragem do presidente Grover Cleveland, dos Estados Unidos, em favor do Brasil. Restou a questão interna. Na Justiça, o Supremo Tribunal Federal deu ganho de causa a Santa Catarina, em decisão adotada em 1904, contra todos os argumentos e provas que favoreciam o Paraná. Isto porém não definiu a questão. Por duas vezes, grupos armados invadiram terras paranaenses, em 1905 e em 1909.
Em outubro de 1906, sob a mediação do presidente da República, Wenceslau Braz, foi conduzido um acordo entre as partes, partilhando-se a região contestada. Da área inicial em litígio, que era de 48 mil quilometros quadrados, o Paraná ficou com 20 mil e Santa Catarina com 28 mil. A decisão causou revolta e surgiu até a idéia da formação de um Estado Federado Independente, que nasceu com nome e Bandeira: o Estado das Missões. Formou-se uma junta governativa provisória e foi atéescolhida União da Vitória, situada às margens do rio Iguaçu, como capital.

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