Confissão coletiva não é comum em Londrina
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sábado, 05 de novembro de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Discussões acerca das doutrinas católicas sempre levantaram polêmica no seio cristão, principalmente quando levam em conta decisões que, a princípio, desconsideram o contexto do local onde elas estão sendo aplicadas. A avaliação tem por base as opiniões emitidas por católicos consultados pela Folha, unânimes em afirmar que, independente de apoiar ou não a decisão da CNBB de acabar com a absolvição coletiva, o que a Igreja deveria fazer é adotar práticas de acordo com as necessidades de cada paróquia.
Padres da Arquidiocese de Londrina afirmaram que a absolvição coletiva é proibida na cidade. No entanto, funcionários ligados à Catedral afirmaram que o sacramento é ministrado em algumas paróquias da região, principalmente da zona rural, onde o número de sacerdotes geralmente não é suficiente para atender a todos os fiéis.
''A decisão diz respeito a um tema relativo à doutrina cristã, que precisava ser melhor regulamentada no Brasil'', explica Dom José Lanza Neto, bispo auxiliar da arquidiocese de Londrina. ''Precisávamos deixar claro que o ato penitencial coletivo não substitui a confissão individual, este sim um sacramento, e foi isso que a última reunião da CNBB decidiu'', completou.
Na diocese de Apucarana, a absolvição coletiva é relativamente comum, apesar de o bispo da cidade, Dom Luiz Vincenzo Bernetti, garantir não ter conhecimento de que tal prática tenha sido realizada no período em que ele estivesse à frente da Igreja, desde abril. ''É realmente permitido, mas somente em circunstâncias especiais. O que não poderia continuar é a decisão sobre a aplicação desta prática ficar a cargo dos padres, que estavam usando deste recurso a todo momento'', afirmou. Como solução para o número insuficiente de padres na diocese, a alternativa colocada por Dom Luiz é a organização de mutirões de sacerdotes, que visitam, periodicamente, cada paróquia para atender à grandes comunidades.
Dom Lanza destacou ainda que a absolvição coletiva não deve ser totalmente banida das práticas católicas no Brasil. ''Em celebrações com santuários lotados, por exemplo, não há como atender à toda a população individualmente. O ideal é realmente que o padre comunique o bispo de sua diocese, mas o sacerdote também tem autonomia para avaliar situações extremas'', justifica. ''O que queremos é evitar que isto aconteça com frequência, pois os padres têm a obrigação de disponibilizar um ou dois dias por semana para atender a comunidade. E também é importante frisar que, se o fiel se confessar numa cerimônia coletiva, a próxima confissão deverá ser feita individualmente'', alerta.


