Confira como foi a ''dança'' da privatização
Confira como foi a
dança da privatização
A briga por um espaço no leilão das telecomunicações começou antes mesmo do pregão. Durante seis meses, empresas multinacionais e brasileiras, fundos de pensão e bancos participaram de uma grande dança, que buscava formar os pares dos consórcios a disputar uma estatal no pregão. Durante este baile, existiram algumas traições, com fundos de pensões e empresas multinacionais saindo de um grupo para o outro há poucos dias da privatização.
Desde o começo do processo, uma das grandes prioridades do governo federal era exatamente fomentar o maior número possível de candidatos ao leilão. Estimulado pelo Ministério da Comunicação, sob coordenação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a formação dos consórcios deveria contar com o maior número possível de empresas, de forma a criar competição e ágio. No entanto, foi este estímulo, que provocou suspeita sob os consórcios, que mais tarde derrubaria o ministro das Telecomunicações, Luis Carlos Mendonça de Barros.
Os fundos de pensão foram os que mais se movimentaram. Na telefonia fixa, seis fundos de pensão Previ (Banco do Brasil), Fundação Cesp, Telos (Embratel),Funcef (Caixa Econômica Federal), Sistel (Telebrás) e Petros (Petrobrás) tentaram um acordo com a Telecom Itália, que acabou entrando no consórcio da Globo e Brasdeco.
Os fundos, junto com a Telesystem e o banco Opportunity, compraram a Tele Leste Celular e Telemig Celular, mas perderam na compra de uma área na telefonia fixa. Quanto a Telecom Itália, ela acabou ficando com a Tele Norte Celular. No entanto, o primeiro consórcio formado foi ao MCI e Sprint, atuais concessionados da Embratel.
Para possibilitar a formação dos fundos, existia uma determinação do governo federal de o BNDES ajudar a captalizar os fundos. Esse auxílio acabaria revertendo em ações do consórcio, que depois seriam vendidas no mercaod. Porém, a participação do BNDES não poderia ultrpassar 10%. Mas essa regra seria quebrada como o consórcio Telemar.
Sem dinheiro para pagar as parcelas do leilão,o grupo repassou mais de 20% das ações para a agência de fomento. Esse fato motivou críticas e ações contrárias de partidos contra a ação do governo federal. No entanto, o escândalo maior aconteceria com a divulgação de conversas gravadas do então ministro das Comunicações, Luis Carlos Mendonça de Barros, com funcionários do BNDES e auxiliares do ministério.
As gravações de Mendonção fizeram com que ele fosse depor no congresso. Na época, ele alegou que a responsabilidade do BNDES era de buscar a formação do maior número possível de consórcios interessados no leilão. Assim, avaliou o ministro, a concorrência motivaria um ágio maior, capitalizando o governo federal. As explicações não seguraram Barros no cargo e até a semana passada motivavam protestos da oposição, que quer a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso. (I.R.)





