Confecção quer tecnologia para crescer
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domingo, 07 de setembro de 1997
Carina Paccola Londrina 
Mário CésarMadi: sem qualidade e preço, cliente não aceita a mercadoria Ser pequeno no setor de confecção significa enfrentar grandes dificuldades, como a concorrência com os maiores e com mercadorias importadas, a falta de tecnologia, o pequeno poder de barganha com fornecedores. Vencê-las é o desafio do pequeno empresário para manter seu negócio e colocar sua produção no disputado mercado confeccionista.
O mercado está cada vez mais exigente: quer produtos de qualidade, com bons preços e prazo para pagamento, avalia Horácio Madi Neto, sócio da Selo Brasil, malharia que produz roupas esportivas em Londrina. Ele e o sócio estão nesse ramos há oito anos. No início, eram apenas os dois, e o escritório funcionava no carro. Hoje, com produção mensal de 10 mil a 12 mil peças, a Selo Brasil emprega 28 pessoas e tem representantes de vendas.
Madi afirma que uma das dificuldades da malharia é na compra de matéria-prima. Os fornecedores não levam muito em conta os pequenos e médios. É difícil conseguir bons preços. Se não tiver qualidade e preço, o cliente não aceita a mercadoria, diz. Para driblar os entraves do mercado, Madi conta que a Selo Brasil sempre teve assessoria do Sebrae. Não fazemos nada a olho, mas com técnicas. Nesses oito anos de existência da Selo Brasil, nasceram e morreram muitas empresas no setor. Sobrevivemos porque planejamos todas as nossas ações.
A Selo Brasil participa atualmente do Programa de Formação de Custos na Indústria da Confecção, desenvolvido pelo Sebrae. Doze empresas de Londrina aderiram a esse projeto, segundo o consultor do Sebrae, Paulo Di Chiara. No programa, dois diretores de cada empresa participam de treinamento de oito horas. Depois, recebem um software que permite às empresas avaliar custo de cada etapa da produção. Além disso, as empresas são assessoradas individualmente pelo Sebrae.
Antes, as empresas não sabiam o custo da produção, e nem precisavam saber por causa da inflação alta. Agora, com a entrada dos importados e com a estabilização, é preciso calcular custos, reduzir desperdícios, eliminar falhas e defeitos, afirma Di Chiara. De acordo com ele, o Sebrae tem atuado em parceria com o Senai (Serviço Nacional da Indústria), que tem oferecido cursos de modelagem. O setor precisa de uma transformação imensa. Sofreu com a abertura das importações e com o contrabando das sacoleiras. Quem não planejar sua produção e não tiver qualidade, não sobrevive.
VácuoComo melhoria do setor em Londrina, Di Chiara cita o curso de estilismo e moda recém-implantado na Universidade Estadual de Londrina (UEL), que deve formar profissionais com condições de melhorar o trabalho das confecções da cidade.
Em Londrina, atuam no setor de confecções cerca de mil micro e pequenas empresas - 400 registradas e 600 no mercado informal - de acordo com o Sebrae. O presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário do Paraná (Sivepar), José Antônio Cavichioli, afirma que as pequenas e médias são maioria na área de confecções na cidade. As pequenas estão se adaptando aos novos tempos, que exigem tecnologia. Hoje existe um vácuo entre a tecnologia e a pequena empresa, diagnostica.
Segundo Cavichioli, o Sivepar está trabalhando em parceria com Sebrae, Codel, Senai, UEL, Programa Paraná-Europa e outras instituições para a busca conjunta de tecnologia. Estamos juntando forças para promover uma série de atividades que preparem as pequenas empresas para enfrentar o mercado.


