Mãos e pés funcionando como pincéis, pela incorporação de mestres da pintura como Renoir, Da Vinci, Michelangelo, Picasso, Monet, Rembrandt, Van Gogh, Rodin, Portinari, Tarsila, Malfati, Di Cavalcanti, Pedro Américo, Djanira, Segall, Brecheret, Goya, Velasquez, Dali, Matisse, Gauguin, Cézanne, Miró, Modigliani, Degas, El Greco, Toulouse-Lautrec, Lacroix e tantos outros. É assim que o fenômeno se apresenta, ante o público, que assiste em silêncio e não encontra explicação à luz do entendimento comum.
Essas manifestações não são novas no mundo. No Brasil, desde meados do século passado, se tem conhecimento da pintura mediúnica. Muitos dos médiuns nunca tiveram noção de pintura e nem conheceram aqueles pintores; outros pintaram no escuro; outros mais, executaram duas ou mais obras ao mesmo tempo, com estilos completamente diversos, utilizando-se simultaneamente das duas mãos e dos pés estes por meio dos dedos e calcanhares e algumas vezes também do pincel.
Em Londrina, na semana passada, a médium Marilusa Moreira Vasconcellos, de São Paulo, repetiu demonstrações que já fizera na cidade outras vezes. As pinturas apresentadas na maioria com a rapidez de menos de um minuto cada foram atribuídas a vários daqueles mestres, incorporados. Em sessões que duram algumas horas, até cinquenta quadros são pintados, com incrível rapidez e com o mediador em estado consciente, ou semi-consciente ou completamente inconsciente.
Todas as obras são leiloadas na hora e a renda destinada a entidades beneficentes da própria cidade, sempre representadas, nesses atos, pelos seus dirigentes. Isso acontece tanto no caso de Marilusa como dos demais médiuns que operam o fenômeno. Afirma-se que se tal não ocorrer, os mestres se afastam.
Pinturas a óleo ou aquarela, sobre telas e porcelana, desenhos em crayon, têm todos uma incrível semelhança com os estilos conhecidos daqueles pintores. As próprias assinaturas são idênticas. Entre os médiuns da pintura, no Brasil, Luiz Antonio Gasparetto é o mais conhecido. Com ele Zibia Gasparetto. Segue-se um grande número de outros, com destaque para Marilusa, José Medrado, Maria Gertrudes Coelho, Agnes e Amália, Paulo Giraldes, Annercy Giordani, Dayane Cris, Orlando Padovam, Florêncio Anton, Valdelice Sallum, Germano Rehder e Cristina Mirabelli, esta uma das mais antigas, e ainda Elizabeth D'Esperance, Victorien Sardou e Agustin Lesage. Entre os que pintam mais frequentemente de olhos fechados destaca-se Anton.
E não apenas pinturas, mas muitos deles têm também livros psicografados. De Marilusa, há um grande número dessas obras, destacadamente do inconfidente Tomás Antonio Gonzaga, e 21 livretos de histórinhas infantís ditadas por Monteiro Lobato, havendo mais 66 do mesmo escritor ainda por editar. A produção nesse campo é vasta, em todo o mundo somando-se milhares de títulos e grande quantidade não está editada, por escassez de recursos econômicos, pois este é um campo em que muitas editoras não investem, até por reserva de ordem religiosa.
Centenas de quadros mediúnicos de Marilusa Vasconcellos estão espalhados pelo Brasil e países das Américas e da Europá, assim como suas psicografias. Entre estas destacam-se os livros ''As Cruzadas'', romance envolvendo líderes da Revolução Francesa; ''Confidências de um Inconfidente'' (por Tomás Antonio Gonzaga), tratando da Inconfidência Mineira; ''Inconfidências de um Confidente'' (experiências de Marilusa com a obra anterior); ''A Moça da Ilha'' (Tomás); ''De Mário a Tirandentes'' (Tomás), narrando tramas reencarnatórios dos inconfidentes mineiros que remontam ao século 2 antes de Jesus; ''Sonata a Quatro Mãos'', romance passado por Malba Tahan (um ensino doutrinário); ''Cíntia e Cassandra'' (romance, também por Tomás); e ainda de Tomás Antonio Gonzaga ''A Abolição'', ''Michelangelo'' (em parceria com Aleijadinho, que segundo a literatura espírita foi reencarnação do famoso escutor italiano); e ''Uma Mulher Chamada Tii'' (saga de uma princesa egípcia), por Tomás e César Vannucci; ''Sem Tempo para Chorar'' (a luta de uma mulher russa por seus ideais), por Tomás e Leon Tolstoi; ''Acaiaca'', que trata do último período do Império Inca; ''Meu Filho se Drogava'', romance de Marilusa sobre lutas familiares com as drogas; ''O Filho de Silvério'', romance também da época da Inconfidência; e mensagens de Chico Xavier, Meimei e Bezerra de Menezes.
Marilusa Vasconcellos é médium desde tenra idade, estando hoje com 60 anos e trabalhando de 18 a 20 horas por dia ou quase não mais dormindo, como ela afirma. Fora do Brasil e da América do Sul, ela já deu entrevistas a TVs americanas e européias, sobre sua obra mediúnica, e numa destas numa televisão de Miami, segundo disse John Lennon enviou uma pintura endereçada a Yoko Ono, ele que em vida apenas ensaiava a arte plástica. O trabalho de Marilusa incursiona pelos campos da psicopictografia, da psicovidência, da psicoaudiência, da psicofonia e do desdobramento.

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