Concorrência determina promoção
Há cinco meses o jovem R.S., 25, trabalha com a venda de DVDs piratas. Desde o começo do ano ele decidiu atuar em um túnel de acesso para os passageiros em um terminal da cidade. São vendidos 150 filmes por dia. Quando ele está sozinho faz três filmes por R$ 10,00. Quando a concorrência aumenta faz promoção e vende quatro DVDs por esse preço.
Não ter patrão foi um dos benefícios que atraiu R.S. para o comércio ilegal. Além disso, em outro emprego ele dificilmente conseguiria ganhar, em média, R$ 300,00 por dia. ''É um modo de sobreviver. Tem gente que vira cliente''. Segundo R.S., os policiais não dão batida e o famoso ''rapa'' (termo usado quando o ambulante é obrigado a sair correndo para não ter a mercadoria apreendida) não existe. O que acontece é ter que ir embora quando os guardas aparecem.
Nem sempre o trabalho envolve entrar no terminal ou no ônibus para tentar a sorte. Há quem prefira ficar na parte de fora para não correr o risco de perder o dinheiro da passagem. O paraibano Messias Pereira Gomes, 18, é um deles. Ele está há três meses longe da terra onde nasceu e percorre algumas cidades do Sul para vender sandálias fabricadas no Nordeste. Ao preço de R$ 10,00 cada, o jovem tenta levar a vida como pode. No dia que conversou com a reportagem, ainda não havia vendido nada, mas mesmo assim estava feliz, já que naquele dia embarcou para a Paraíba. Depois de cinco dias e noites de viagem estaria lá para buscar mais sandálias.
Depois de encontrar tanta oferta de produtos, andar de ônibus é quase tão eficiente quanto fazer compras em um shopping. O benefício é encontrar produtos mais baratos, e o contra é que quase todos são falsificados. Trocar a mercadoria torna-se difícil pois não há garantia de que no outro dia o vendedor esteja no mesmo lugar. Afinal, ele vende sobre rodas. (D.C.)





