Concentração populacional é a marca do Água Verde
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terça-feira, 13 de fevereiro de 2007
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Descendente de família italiana a aposentada Ruth Ceschin, 71 anos, nasceu no bairro Água Verde e acompanhou de perto sua transformação. ''Melhorou muito, no tempo que eu nasci não tinha quase coisa nenhuma. Minha mãe contava que era tudo campo, era uma ou outra casa. Naquela época era barro, hoje tem tudo à mão'', conta. O bairro que hoje leva o nome do rio já canalizado em todo o seu percurso, era conhecido na segunda metade do século XIX como Colônia Dantas. A colônia era formada por chácaras de imigrantes italianos como a do avô de Ruth Ceschin. ''A chácara do meu avô era no terreno onde foi feita a parte nova do cemitério'', lembra a moradora.
Desde então o Água Verde não parou de crescer e entrou na década de 90 com a maior concentração populacional de Curitiba. Já entre os anos 50 e 60, quando Curitiba apresentou um grande crescimento populacional, a antiga Colônia Dantas tinha uma das maiores taxas de ocupação observadas entre os bairros residenciais da Capital. A facilidade de acesso ao centro da cidade e a auto-suficiência do bairro no que diz respeito a comércio e serviços, são os principais fatores positivos apontados pelos atuais moradores.
A professora Claudete Ferronato Volaco, 43, morou no Centro durante 12 anos e mudou-se com o marido para o Água Verde porque o casal queria um bairro mais tranquilo para criar o filho. ''Fomos a vários lugares e gostamos bastante de morar aqui porque é perto de tudo'', afirma. Moradoras do bairro há dez anos, Ida Mary Stradiotto, 58, e a filha Ariadne, 15, também gostam da praticidade que o Água Verde oferece. ''Aqui a gente tem tudo, é um bairro autônomo com relação às atividades diárias'', observa Ida Mary.
Proprietário de uma banca de jornal na Praça Maria Polenta e morador do bairro há seis anos, Aroldo Vidal, 33, queixa-se apenas da grande movimentação de ''desocupados''. ''À noite aqui na praça é tráfico puro, muita gente bebendo e fumando, é bem triste'', lamenta. ''A única coisa que falta é mais segurança. Não deixar pessoas desocupadas tomando um espaço de lazer'', completa.
Funcionária da tradicional Sorveteria Formiga desde 1975, Rosa Batista Teixeira, 59, também viu o bairro passar por mudanças e ouviu muitas histórias dos moradores antigos que ainda frequentam o local, fundado em 1956. ''Tinha um senhor que vinha aqui e conta que a Avenida Getúlio Vargas era um banhado. Quando ia para a aula, ele trocava os sapatos no caminho e escondia um dos pares no mato. Na volta, ele trocava de novo para ir pra casa'', lembra Rosa, que mantém a mesma receita na fabricação do sorvete desde a época em que começou a trabalhar na Formiga.
O bairro também tem outros pontos tradicionais, como a Praça do Japão, criada em 1958 para comemorar o cinquentenário da imigração japonesa no Brasil e remodelada nos anos 80, e o antigo estádio Joaquim Américo Guimarães, hoje Arena Multieventos do Clube Atlético Paranaense. Segundo dados do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), em 2000, a população do Água Verde era de 49.866 habitantes, com idade média de 34 anos. E a densidade demográfica atingia a marca de 104,67 habitantes por quilômetro quadrado.


