Comunidades de Pinhais convivem com o medo
Curitiba - Segundo a pesquisa do IHA, Pinhais é proporcionalmente o segundo município do Paraná em que há mais riscos de assassinatos para adolescentes. A reportagem da FOLHA esteve em dois bairros da cidade em que as queixas dos moradores sobre falta de segurança são frequentes: Vargem Grande e Weissópolis.
Bastaram algumas conversas para verificar que a criminalidade faz parte da rotina dessas comunidades. Todos os moradores entrevistados tinham alguma história relacionada a assassinato de adolescentes para contar, e nenhum aceitou ter seu nome publicado ou ser fotografado.
A dona de uma padaria na Vargem Grande apontou que os comentários sobre mortes violentas de jovens são comuns no bairro. Eu fico preocupada. Meu filho mais novo está nessa idade, tem 18 anos, comentou.
O dono de uma loja de móveis usados, e também morador do bairro, afirmou que há cerca de um ano um adolescente, de 17 anos, inquilino de um imóvel de propriedade do comerciante na região entre Pinhais e Piraquara, foi assassinado. Dizem que foi por droga, disse o comerciante. Acontecem muitas situações por causa de droga. Aqui na loja, sempre aparecem jovens querendo vender tênis, roupa, para comprar droga. Às vezes, eles falam: Não quero te assaltar, mas me vê um dinheiro para comprar droga, relatou.
Ainda assim, o comerciante achou surpreendente que Pinhais tenha aparecido na pesquisa com um destaque tão negativo. A gente tem a impressão de que Piraquara é pior. Não sei se, por a gente estar aqui, temos outra percep-ção, disse ele, que não acredita que Pinhais apresentou desempenho pior por ter crescido muito. Todas as cidades da região cresceram muito: Piraquara, São José, Pinhais, ponderou.
Quando a reportagem esteve no Weissópolis, os moradores comentavam que um jovem havia sido velado na comunidade naquele dia. De acordo com os relatos, o rapaz havia sido morto numa troca de tiros por um policial, de quem teria tentado roubar uma quantia em dinheiro na saída de um banco. Esse menino era filho de uma conhecida minha, da igreja, afirmou uma moradora, que reside no Weissópolis há 27 anos.
Ela contou que, na semana anterior, ela e sua família havam sido assaltadas em casa: cinco jovens renderam os moradores e fugiram levando vários objetos. É por isso que estamos levantando o muro, e vamos colocar cerca elétrica por cima. São esses jovens que depois vão ficar se matando por aí, disse a moradora, que assegurou que a segurança no bairro já foi melhor. Na avenida (Iraí), tinha um módulo policial. Fecharam.
O módulo mencionado pela moradora está abandonado. No local, cobertores e muita sujeira, com garrafas plásticas e caixas de alimentos. Funcionários de uma loja da região afirmaram que a construção virou um mocó.
O governo do Estado iniciou o processo de desativação dos módulos policiais fixos no final da gestão Jaime Lerner (1995-2002). O governo Requião, desde 2003, reitera que o sistema de módulos fixos está ultrapassado e defende que vem investindo em policiamento móvel. Entretanto, durante a meia hora em que a reportagem da FOLHA permaneceu no Weissópolis, em nenhum momento foram vistos policiais na região. (F.G.)





