Um dos conselhos de segurança apontados como mais atuantes em Curitiba é o da Vila Hauer. O Conseg Hauer tem projetos individualizados de garantia de paz familiar, sem violência doméstica. Foi o primeiro a inaugurar o Conseg Mulher. Mas os moradores do bairro reclamam da falta de segurança e da atuação distante dos conselhos.
O aposentado Eliseu Pereira Diogo, de 83 anos, está decepcionado com as autoridades públicas. Morador da Vila Hauer há mais de 40 anos, Diogo só vê a atuação militar em períodos eleitorais. ''Falar com as pessoas não adianta de nada. Não sei se existe conselho de segurança aqui. Em época de eleição, essa gente toda aparece. Depois some. E o pior é que o nosso povo engole tudo o que os políticos dizem com farinha'', reclamou o aposentado.
O músico José Carlos, de 40 anos, concorda. Em anos eleitorais, vê a Polícia Militar (PM) atuando com rigor na região. Nos outros anos, nem sabe como encontrar a polícia. ''Eu moro aqui há dois anos. Nunca vi atuação de conselho nenhum. Nem sei se realmente existe. A gente reclama da rua que mora, que nem correspondência chega, e ninguém se preocupa. Minha rua não existe no mapa, imagine se a polícia chega! Nem carta chega!'', reclamou.
O desempregado Eduardo Elias Carneiro, de 23 anos, já teve a casa arrombada três vezes em menos de um mês. Ele, que nasceu na Vila Hauer, não negou que as viaturas fazem ronda constante no local. No entanto, não existe casa na região que não tenha sido roubada ou furtada.
''Prevenção não tem. Arrombamento é o que mais tem aqui. E não se faz nada. As casas são arrombadas várias vezes e vão continuar sendo. Eu nunca vi conselho de segurança no meu bairro e olha que sempre morei aqui. O que acontece? Por que ninguém vai se apresentar para perguntar quais são as dificuldades individuais e coletivas dos moradores'', questionou Eduardo. (L.P.)

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