O nome é de japonês e a fisionomia também é caracaterística de um oriental. Mas Augusto Ussui, 86 anos de idade, filho de pioneiros, fala como um desses cabras acostumados a lidar com peões e a jogar boa conversa em um português sem nenhum sotaque e bastante simples. Ele não sabe conversar no idioma japonês, apesar de ser filho de imigrantes japoneses. A mãe dele, Massayo Ussui, faleceu em 1994, e até aquele ano era uma das duas sobreviventes da primeira viagem do Kasato Maru.
‘‘Ah, eu falo assim porque meus pais moravam longe da colônia japonesa. Então eu tinha que conversar com os brasileiros que moravam perto da casa da gente’’, explica. Seo Augusto nasceu em Igarapava (SP) e veio com os pais ainda novo para o Norte Pioneiro do Paraná. A família passou por Cambará, Assaí e comprou área de 100 alqueires em Bandeirantes.
A propriedade foi dividida entre os herdeiros e coube a Augusto ficar com 28 alqueires, onde ele e um filho plantam hoje principalmente soja e milho. Religioso, seo Augusto teve duas irmãs freiras, mas ambas morreram ainda novas. A filha dele, Maria Célia, também é religiosa e coordena em Bandeirantes o Projeto Crianças Alegres Unidas na Esperança com Maria (CAUEM), que assiste a 130 crianças da periferia do município.
O projeto é mantido pela Igreja Católica e ensina bordado, informática, maneiras de conversar e de se comportar. Depois, em uma segunda fase, as crianças são encaminhadas para atividades de campo coordenadas por voluntários, que incluem, além de cursos diversos, trabalhos com teatro, jogos, dinâmica de grupo. ‘‘É para ensinar as crianças a se relacionarem na sociedade, pois elas cresceram marginalizadas’’, esclarece a irmã.
ACEBA exemplo do que ocorre na maioria das localidade que concentram famílias nipo-brasileiras, Bandeirantes também possui a sua Associação Cultural e Esportiva (ACEB). Segundo o vice-presidente Kunio Ochiai, filho de pioneiros do município - o pai dele, Yuzo Ochiai, morreu em 1985, aos 91 anos de idade, e é homenageado com o nome de uma rua - Bandeirantes reúne cerca de 120 famílias nikkeys.
Ainda assim, revela Kunio, a ACEB consegue manter a união dos nipo-brasileiros, inclusive estimulando atividades do grupo de jovens, que conta atualmente com a participação de cerca de 80 adolescentes.
A pequena quantidade de nikkeys também não é obstáculo para a preservação da cultura e da tradição japonesa. O vice-presidente diz que a escola japonesa (nihon gako) da localidade, fundada no pós-guerra, só foi desativada no ano passado. ‘‘Além de ser oneroso para a ACEB, as crianças questionavam a necessidade de frequentar o nihon gako’’, diz.Josoé de CarvalhoCombinaçãoAugusto e Maria Célia: religiosidade e jeito brasileiro de conversarWalter Ogama

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