Zeca Corrêa Leite
A Feira de Artesanato, opção das manhãs de domingo para o curitibano, e espécie de programa obrigatório para turistas, estará completando 27 anos neste mês de abril. Criada num tempo em que era moda as grandes cidades ostentarem sua ‘‘feira de arte’’, ocupava a princípio o território do Largo da Ordem, cenário ideal para este tipo de exposições e vendas de arte e antiguidade. Às vésperas de ser uma feira balzaqueana, reforçou o charme de um espaço encantado que cresceu muito nos últimos anos, mas ainda é chamada de ‘‘Feirinha’’.
Espécie de ‘‘point’’ da classe média, abre-se a todos os visitantes que se perdem no emaranhado de suas barracas e gentes. Depois das onze é quase impossível furar o bloqueio que se move lentamente no trecho inicial da feira, na Rua Dr. Cláudio dos Santos, entre a Barão do Serro Azul e Rua do Rosário. Varando esse paredão humano, chega-se ao Largo da Ordem onde se espalham as revistas, livros, bugigangas, velharias e reais antiguidades. Ali, uma singela garrafa de Crush (garrafa original, dos anos 50), estava sendo oferecida a R$ 30,00.
É uma festa democrática no que se refere a gosto, tribos e estilo. O público que por ali circula – gente bonita, botando os filhos no cangote, empurrando carrinhos, carregando os típicos cachorrinhos de madame – cumpre o ritual da despreocupação, de xeretar produtos.

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