Compra de votos não se confirma em Cascavel
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de outubro de 1998
Paulo Pegoraro 
Em Cascavel, com quase 150 mil eleitores, alguns partidos especulavam anteontem a possibilidade de que se repetisse a compra de votos - com dinheiro ou alimentos, o que não foi confirmado. O advogado Ruy Zibetti, vinculado à campanha do candidato a deputado federal Renato Silva (PSDB), disse ter recebido informação de que alguns caminhões suspeitos, carregados, estavam estacionados nas imediações do Hospital Regional, e informou à Polícia. Antes dos policiais chegarem ao local, os caminhões foram dispersados e não mais encontrados, disse. No Fórum, apenas quatro pessoas permaneceram detidas, por práticas irregulares em locais de votação.
O juiz Givanildo Constantinov disse que o maior problema foi o abuso na propaganda. O juiz disse que examinará fitas com gravações para avaliar os abusos e decidir penalização.
Em alguns bairros, observou-se excessiva demora (de até 10 minutos) de eleitores nas urnas eletrônicas. Em algumas seções havia grande número de eleitores, formando-se longas e demoradas filas, e ao lado, no mesmo local, outras com poucos inscritos, e que por isso passaram a maior parte do dia praticamente vazias. Foi o caso da Escola Maria Tereza de Abreu Figueiredo. Na escola, com eleitores da 68ª Zona Eleitoral, na seção 301 havia 580 inscritos, e na seção 353 apenas 56. Como alguns eleitores demoraram mais de 5 minutos para digitar os votos, chegou a ocorrer tumultos na fila.
Por volta das 17 horas, quando muitos eleitores revoltados já pensavam em desistir de votar, foram distribuídas senhas, para que o processo fosse completado. Idosos, deficientes físicos e pessoas adoentadas tiveram preferência absoluta em todos os locais de votação, sendo chamados pelos mesários para se anteciparem aos demais da fila. Na Escola Castelo Branco, no Parque São Paulo, o deficiente físico Argemiro da Silva, 52 anos, engraxate, entrou na sala de votação em cadeira de roda, depois de tê-la movido por cinco quadras. Vale o esforço, porque votar é o único jeito que a gente tem de influir na política, disse.


