COMPORTAMENTO - Mulheres encaram o preconceito, sem perder a feminilidade
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sábado, 10 de março de 2007
Eduardo Diório<br>Agência Estado 
São Paulo - Meninas que namoram meninas abrem o jogo e revelam como encarar a sociedade de cabeça erguida, sem perder a feminilidade. Quando criança, a gestora de negócios Nina Lopes, hoje com 34 anos, sentia-se um ''feijãozinho perdido'' entre os seus colegas de classe. Enquanto as meninas paqueravam os garotos e fantasiavam o primeiro beijo, Nina estava completamente apaixonada pela professora de educação física. Anos depois, lá pelos seus 14 anos, percebeu que os rapazes não a completavam afetivamente e o que queria mesmo era namorar uma garota.
A história da publicitária Mariana Guimarães, de 22 anos, é parecida com a de Nina: quando pequena, a confusão de sentimentos a assustava, mas nada como uma boa festa entre amigos para espantar os seus bloqueios e deixar fluir sua verdadeira sexualidade.
Encontros pelo caminho da vida fazem parte do destino da empresária Graziela de Campos, de 39 anos, e da bartender e professora primária Roseli de Almeida, de 40 anos. Ambas começaram a trabalhar como vendedoras, mas não se conheciam. A descoberta de que eram meninas que sentiam atração por meninas aconteceu na mesma época, porém, em lojas e shoppings distintos. Depois de um tempo, as garotas se conheceram, namoraram por mais de sete anos e, hoje, moram juntas.
''O namoro não vingou, mas a amizade, sim. Gosto de cuidar das suas coisas e, se percebo que alguma menina está se aproximando dela por interesse, bato o pé e dou a minha opinião'', revela Roseli.
Descoberta - Na maioria dos casos, a descoberta da orientação sexual acontece na adolescência. No entanto, algumas garotas - por insegurança ou pressão da família - engatam namoros com rapazes, a fim de sanar qualquer tipo de questionamento da sociedade. ''A maturidade sexual é atingida na puberdade, quando ocorre a maior modificação do papel sexual. O desenvolvimento da parte psicológica está ligado à interação da pessoa com o ambiente familiar, escolar e social'', explica a psicóloga clínica Ruth Ascencio.
A homossexualidade vem sendo estudada há anos e, até hoje, a única certeza entre médicos e psicólogos é que esse assunto não deve ser tratado como doença. Já que não é uma enfermidade, os homossexuais questionam: por que os cientistas não estudam a razão de uma pessoa ser heterossexual? De acordo com Shirley Souza, autora do livro ''Amor entre meninas'', a resposta é simples: ao longo da história, o ser humano aprendeu a achar normal a relação heterossexual e a considerar a homossexualidade algo fora dos padrões.


