Competitividade e inovação no mundo digital é o tema da palestra do professor Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral, que vai abrir o EncontrosFolha do dia 24. Doutor em administração internacional pela Bradford, na Inglaterra, ele vai detalhar um estudo feito pela fundação em parceria com a Siemens sobre a digitalização da indústria brasileira.
"Há uma defasagem muito grande no País em termos de digitalização, da internet das coisas, de automação, de integração de redes entre empresas. Vamos mostrar que essa defasagem de inovação existe tanto no mundo real como no digital", afirma. O estudo, que foi divulgado em São Paulo na semana passada, revelou, entre outras coisas, o número de empresas que apresentam soluções inovadoras no Brasil. "Não é que o Brasil não inove, mas inova pouco e, muitas vezes, a inovação é orientada para a sustentação de vantagens competitivas e não para o desenvolvimento de novas vantagens", declara.
De acordo com ele, a inovação que se faz no País é mais "com olhar para o passado", buscando recuperar o que deixou de ser feito e não com vistas a criar "novas plataformas de negócio" que torne as soluções "interessantes ao mundo". "Não adianta inovar para dentro da empresa se você não está trazendo nada de novo para o mundo", considera.
Arruda ressalta que falta política pública que estimule a inovação no Brasil. "Na Alemanha, há uma política de governo que se chama Indústria 4.0, que é a indústria do futuro, com base na digitalização. O que nós estamos fazendo no Brasil ainda é muito pouco perante o mundo."
Além da falta de política pública e de investimentos, o professor, que é membro do Conselho do HUB Network (Áustria) e do conselho Assessor do Kellogg Innovation Network (EUA), aponta o marco regulatório e o sistema tributário brasileiros como outras desvantagens para a indústria nacional. "São questões que não estimulam o empresário a investir, por exemplo, em mão de obra. Com uma mão de obra pouco qualificada não temos como avançar em relação a outros lugares do mundo", declara.
Ele critica o modelo econômico brasileiro, "orientado para gerar renda no Brasil". "É um modelo que se exauriu. Se o Brasil não participa de grandes cadeiras produtivas globais, não tem como avançar", afirma. Para ele, a indústria brasileira não está competindo internacionalmente. Se estivesse seriam desafiadas a se superar. "Esse modelo brasileiro voltado para dentro reduz as pressões que levam ao aumento da competitividade. E ainda temos o modelo regulatório e tributário para dificultar mais."
Questionado sobre iniciativas como os institutos Senai de tecnologia (IST), ele afirma que estão indo na direção certa. "Está começando agora, mas terá impacto a longo prazo". Mas o impacto será pequeno, na opinião do professor, se os institutos ficarem olhando para dentro. "O IST de Londrina tem de estar conectado com o mundo, trazendo conhecimento do mundo."

Imagem ilustrativa da imagem Competitividade e inovação no mundo digital
| Foto: Gina Mardones
"Vamos mostrar que essa defasagem de inovação existe tanto no mundo real como no digital", convida o palestrante Carlos Arruda, da Fundação Dom Cabral
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