Os jogadores não são profissionais mas o campeonato de futebol realizado pelo Clube de Pais e Ex-alunos do Colégio Marista Paranaense, em Curitiba, tem todos os elementos de uma competição de verdade. Inclusive a torcida, em média 150 pessoas por partida. ''É mais que o Malutrom (hoje J. Malucelli)'', compara Mauricio Gulin, de 33 anos, pai de aluno, que participa este ano do seu primeiro campeonato no colégio.
A competição conta com 180 participantes distribuídos em dez equipes, com uniforme oficial, logomarca do patrocinador de cada time estampada nas camisas, planejamento tático discutido entre os jogadores por e-mail ao longo da semana que antecede os jogos, além de regulamento, presidente, diretoria, Comissão de Ética e Disciplina, festa de abertura e baile de encerramento com direito a entrega de prêmios aos destaques do ano.
Os jogos são apitados por árbitros da Federação Paranaense de Futebol, o campo que abriga as partidas no terreno da escola tem dimensões próximas das oficiais e a manutenção do gramado é feita por uma empresa especializada. O grupo mantém, ainda, um blog onde jogadores e torcedores encontram crônicas sobre os jogos, tabela de classificação e vídeos com as mesas-redondas, nas quais os próprios sócios avaliam o desempenho das equipes no fim de semana.
''É melhor do que eu achava que ia ser, mistura profissionalismo e brincadeira. Na hora do jogo o bicho pega. É competitivo mesmo estando entre amigos, isso que é interessante'', observa o ex-aluno e jogador Igor Baptista de Mello, 20 anos. Todo o ano os jogadores são redistribuídos em novos times para incentivar a integração. E a cada edição do campeonato as equipes são nomeadas de acordo com uma temática diferente. Este ano, o tema eleito foi: ''Grandes Esquadrões do Futebol Brasileiro''.
Como tudo é feito por sorteio, a distribuição dos times resultou em situações curiosas como a do pai são-paulino fanático que se viu obrigado a defender a camisa do Corinthians. ''Reclamam um pouco mas acabam jogando'', conta o atual presidente do Clube de Pais e Ex-alunos, Eloir Trovão, que participa do campeonato desde 1980. Em 2007, os uniformes foram inspirados em equipes extintas do futebol paranaense, com réplicas fiéis das camisas. A competição também já teve como tema, o Campeonato Inglês, a Copa Libertadores e seleções que jogaram a última Copa do Mundo sem chance de serem campeãs. Exemplares de todas elas estão em exposição na sede do Clube, que fica dentro do colégio.
A distribuição dos jogadores também leva em conta a idade dos participantes. Cada time deve ter no máximo cinco integrantes com até 30 anos, e apenas três destes podem estar em campo ao mesmo tempo. ''Aqui tem jogador de 62 anos jogando com o de 20 anos, e tem que marcar o piá'', afirma Trovão. Além disso, todos os jogadores têm que participar por pelo menos 30 minutos a cada partida, senão o time perde pontos. ''Essas ferramentas criadas para integrar são o diferencial. Aqui todo mundo se respeita muito'', ressalta Rodrigo Pasinato, 27 anos, que integra o grupo desde 1999, quando o Clube de Pais abriu o campeonato para a participação de ex-alunos. Para Pasinato, os jogos ajudaram a fortalecer o vínculo entre os amigos do tempo de escola. ''Até hoje a minha turma é a turma daqui, os meus melhores amigos são os amigos daqui'', afirma.

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