Companhias de destaque deixaram a cidade
A companhia de teatro Os Satyros foi fundada em São Paulo, em 1989, pelo paulista Rodolfo García Vázquez e pelo paranaense Ivam Cabral. Depois de uma experiência na Europa, o grupo teve, por dez anos, entre 1995 e 2005, Curitiba como casa. ''É uma mágoa muito grande que guardo. Pela falta de apoio, tivemos de deixar a cidade'', comenta Cabral. Hoje, a companhia administra um complexo de teatros super movimentado no centro de São Paulo.
Cabral entende que as políticas culturais na capital paranaense, ainda que existam, fomentam trabalhos pontuais e não permitem um projeto continuado. ''Um só espetáculo não basta. Tem de se pensar em um movimento.''
Ele guarda uma relação muito forte com a cidade e deseja poder retornar um dia. ''Além disso, o pensamento do teatro curitibano é de ponta. Vejo coisas aí que não vejo em nenhum outro lugar.''
Desde 2000, Curitiba também não é mais a sede da Sutil Companhia de Teatro, criada na cidade em 1993. Hoje, a base é São Paulo, mas o grupo mantém um escritório e realiza os ensaios em Curitiba, onde encontram uma vantagem emocional. ''É a cidade dos códigos que nos referenciam como artistas; que dá o nosso vocabulário. Além disso, nos possibilita uma concentração absoluta'', explica o ator Guilherme Weber, 33, um dos fundadores ao lado de Erica Migon e Felipe Hirsch.
Weber mora no Rio de Janeiro, onde trabalha com televisão, e se impressiona com a quantidade de curitibanos atuando lá e em São Paulo. ''Lembro que, quando eu saí, em 2000, eram poucos iluminando o caminho. O Luis Melo, a Denise Stoklos, a Guta Stresser e a Letícia Sabatella. Antes era mais difícil sair.'' Como mudanças, ele cita o preço mais acessível das passagens de avião, a Internet além de outras formas de comunicação encurtando distâncias. ''Hoje fazemos reunião pelo Nextel. O Felipe em São Paulo e eu no Rio.''
De Londrina
O Armazém Companhia de Teatro foi fundado em Londrina em 1987. ''E desde 1998, está no Rio. Aqui há mais possibilidades de trabalho, há uma abertura maior. Antes o grupo tinha de viajar muito'', afirma o ator Sérgio Medeiros, na companhia desde 1999, ano em que saiu de Curitiba. ''Fui atraído pela possibilidade de se dedicar ao teatro de grupo de uma maneira mais intensa'', diz. (R.U.)





