Como surgiu a galinhada?
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de dezembro de 2018
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 

Chef Taico conta que ouviu a história da origem da famosa galinhada de seu pai, que veio para Londrina aos 20 anos de idade, para ser degustador de café, na década de 1950. Assim como outros pratos populares, a receita varia conforme o cozinheiro, mas consiste basicamente em arroz, frango e alguns legumes.

"Naquela época o dinheiro corria solto. A gente tinha, acredito até, mais restaurantes e melhores do que hoje, porque tinha muito dinheiro, vinha muita gente de fora se instalar por aqui, principalmente italianos. O ouro verde, a explosão do café, Londrina a capital mundial do café, muito dinheiro, maior zona de meretrício do mundo.

Os aviões vinham carregados de mulheres lindas. E tinha o Toninho, que já faleceu, que fazia, conforme contava meu pai, uma canja de galinha para a noite. Mas os que ficavam até mais tarde, quando chegavam tinha secado (o caldo) e ficava aquele arroz empapado com frango, que acabaram chamando de arroz de puta."
Ele conta que nesta mesma época diversos restaurantes se estabeleceram na cidade, principalmente os italianos. Mas outros povos também conquistaram seu público e permanecem até hoje. "A minha professora do primário, que foi quem me alfabetizou, era a esposa do proprietário e proprietária do Kiberama, a dona Saline Dakkache. Ela era a cozinheira e até hoje supervisiona a cozinha. Se formos analisar restaurantes, os que prevaleceram são aqueles que você sabe o que você vai comer. Como você vai levar uma pessoa no restaurante e não sabe o que vai comer?", questiona.

Taico avalia que os restaurantes rurais surgiram há cerca de 15 anos e vieram suprir aquela vontade de comer uma comida caipira, mistura trazida por paulistas e mineiros. Se antes esses pratos eram servidos na mesa de domingo, depois nos restaurantes de beira de estrada, agora ficam dispostos em bufês.

|Este fragmento é parte integrante do caderno Especial Transmídia "84 pontos para curtir Londrina". As histórias foram fragmentadas para melhorar a experiência digital dos leitores. Obtenha a edição impressa ou a digital para ter a chave de acesso a outras histórias|

"Foram parando de fazer essas comidas em casa porque são trabalhosas. Quando as antigas nonas, as mães, ainda dedicavam a vida a esse tipo de coisa e tinham tempo de fazer um frango caipira refogado devagarzinho, uma polenta mole cozida, era a comida do dia a dia. Os restaurantes caipiras assumiram essa culinária como culinária caipira, mas é uma comida tradicional nossa."
Para o chef, comida é lembrança. "Paladar é só doce, salgado, azedo e amargo. O resto é memória. Bouquet e memória. Se eu falo isso e você lembra de alguma coisa, que te enche a boca de água. Comida é aquela que você quer comer quando está com fome. Que te lembra, que te remete a situações agradáveis. Comida é para te fazer sentir feliz e confortável."

CONTINUE LENDO: Londrina tem alta gastronomia? Segundo o professor e chef Marcelo Sokolowski, esse conceito vai além da comida. Entenda:
ACESSE AQUI A VERSÃO DIGITAL DO ESPECIAL TRANSMÍDIA E CONTINUE SUA EXPERIÊNCIA


