Como se faz uma ópera
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Denise Ribeiro<br>Equipe da Folha 
Enquanto músicos e cantores afinam voz e instrumentos em semanas de ensaios, as máquinas de costura não param e os martelos não têm descanso. São horas e mais horas de trabalho para garantir que ao abrirem-se as cortinas predomine aos olhos do público a harmonia do conjunto daquele que é considerado o mais complexo dos espetáculos, a ópera. Nos bastidores do Guairão, o ritmo é intenso nos preparativos da primeira ópera do grande repertório produzida exclusivamente pelo Teatro Guaíra desde a retomada das produções do gênero na Capital. La Traviata, de Giuseppe Verdi, estréia no próximo sábado, às 20 horas.
Quanto mais fácil parecer para o público, melhor conseguimos juntar tudo de uma forma harmônica. Ninguém imagina que tem umas 200 pessoas envolvidas porque não vêem nem a metade delas, explica o regente titular e diretor artístico da Orquestra Sinfônica do Paraná, Alessandro Sangiorgi. Para Sangiorgi, a ópera é o espetáculo mais complexo porque une música tocada, cantada, com solistas e coral, e as artes cênicas, com tudo o que envolve tais produções. Também é o mais caro. Por isso Curitiba ficou tanto tempo sem ópera. Falta dinheiro, avalia o maestro.
Para o responsável pelo figurino e adereços de La Traviata, Eduardo Giacomini, a produção é grande e o período de preparação é curto. As 38 peças femininas foram confeccionadas especialmente para esta versão de La Traviata, que o diretor tcheco Ludek Golat, ambientou nos anos 20 do século passado. Entre as 40 peças masculinas, parte foi confeccionada sob medida para os intérpretes. E a maioria dos smokings será alugada. A grande dificuldade é o tamanho do auditório. Tudo some porque a distância da platéia é grande. As costureiras mais experientes dizem: isso aí não vai funcionar. Gosto muito de ouvir o que elas têm a dizer, afirma Giacomini.
As conselheiras do figurinista são Sueli Rocio Carbonar e Terezinha de Lourdes Pereira, a Neca. Ambas trabalham há mais de 20 anos no Teatro Guaíra e conhecem bem os bastidores de uma grande produção, tanto que mal sobra tempo para curtir o espetáculo da platéia. A gente fica a serviço. Quando quer ver como ficou alguma coisa, vai lá na frente e logo volta para atender o pessoal, conta Sueli. Da coxia não é a mesma coisa que ver lá da frente, completa Neca.
Há 12 anos a costureira Elvira Antunes Vieira participa das produções do Teatro Guaíra e diz que não consegue recusar os convites. A gente está sempre aprendendo. Estou acostumada a fazer as coisas do dia-a-dia e aqui cada figurino é um modelo diferente. Me aposentei pensando em parar mas quando elas chamam eu não agüento e venho, revela. Aos 66 anos, Elvira não se intimida com a jornada de trabalho que vai das 9 às 18 horas. E quando é preciso fica até mais tarde. Para Elvira, ver o resultado no palco vale a pena. É muita emoção ver o trabalho da gente sendo mostrado, explica.
A design de bijouterias Fabiele Colombo é outra que corre contra o relógio. É um tempo consideravelmente curto. Quando a gente não está com a mão na massa está pensando nas peças ou comprando material, conta. Já o cenógrafo Carlos Kur, que tem no currículo outras quatro La Traviata, diz que a correria faz parte desse tipo de produção em qualquer lugar do mundo. Normalmente é assim. Já estive em outros grandes teatros e na Europa também passam por isso, defende. Nenhuma delas é igual à outra. É como ter filhos são todos parecidos mas não são iguais. A gente pretende que em cada lugar seja o melhor, explica Kur.
O regente Alessandro Sangiorgi, explica que o resultado depende da preparação de cada grupo. Quando cada um tem sua parte pronta a gente começa a juntar. É uma espécie de edifício em que cada parte é preparada para criar uma coisa unitária, define.
SERVIÇO
La Traviata
De 18 a 26 de agosto, de terça-feira a sábado, às 20 horas, e domingo, às 18 horas.
Ingressos
Venda antecipada: R$ 30 (platéia), R$ 20 (1º balcão) e R$ 10 (2º balcão).
No dia das apresentações: R$ 40 (platéia), R$ 30 (1º balcão) e R$ 20 (2º balcão).
No dia 26, pelo Projeto Teatro para o Povo, a entrada é franca.)


