Como melhorar o Carnaval de Curitiba?
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quarta-feira, 03 de dezembro de 2008
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
Faça uma pesquisa informal sobre o Carnaval da cidade. Vai ouvir como resposta frequente, especialmente daqueles que nunca foram à passarela na Avenida Cândido de Abreu, que a festa na cidade é fraca. "Primeiro, é necessário reverter essa imagem de que é preciso uma grande reforma. Quem frequenta, não vê com esse olhar pejorativo", comenta Beto Lanza, diretor de Ação Cultural da Fundação Cultural de Curitiba (FCC). Em sua opinião, o Carnaval é um fenômeno e não uma ação cultural. "Sempre se compara com o do Rio, São Paulo ou Parintins. Assim, há um descompasso qualitativo", diz. Em 2008, a Avenida Cândido de Abreu recebeu um público de 15 mil.
"Há uma série de ações necessárias. Primeiro, oferecer uma infra-estrutura de qualidade - o que já fazemos ao convidar bons profissionais da cidade para montar a estrutura", explica Lanza. "Segundo, repassar o recurso antecipadamente às escolas e auxiliar o desenvolvimento do trabalho com a comunidade", o que, entende, se tornará mais fácil com a abertura do edital de Pontos de Cultura, que oferece um valor de R$ 180 mil a 30 organizações de fins diversos. Além disso, Lanza cita como prioritária a qualificação da equipe da FCC e dos jurados do Carnaval por Maria Augusta Rodrigues, que acompanha o Carnaval do Rio há 40 anos, e está iniciando um trabalho em Curitiba.
A professora Selma Baptista, tal como Beto Lanza, acredita que apenas o auxílio financeiro não basta. "Mas é um incentivo necessário para a criação de um produto carnavalesco que possa captar recursos por conta própria", opina. Em sua tese de pós-doutorado em Antropologia na Universidade de São Paulo (USP), Selma estudou a relação entre o Carnaval de Curitiba, cidadania, etnicidade e políticas públicas. "A cultura de saber fazer e brincar o Carnaval existe na cidade. O que falta é uma cultura de apoio às manifestações populares nos órgãos públicos, que são mais voltados à cultura de elite."
Ela entende que existe um ciclo vicioso: o curitibano não acompanha, mas diz que o Carnaval é pobre. Enquanto as escolas reclamam que o apoio da FCC é insuficiente. "É preciso romper esse ciclo, com um investimento inicial mais alto, para que as escolas tenham um espaço para ensaiar. Para que, então, cheguem até as empresas com um produto bom para se investir." Já Lanza entende que os investimentos públicos não são poucos e, desta vez, os apoios às escolas chegam ainda este mês. Para o Carnaval 2009, a FCC vai investir R$ 450 mil.


